Brasil e Argentina discutem prorrogação do acordo automotivo

Segundo fontes envolvidas nas negociações, martelo pode ser batido na quarta-feira em Buenos Aires em torno de um mecanismo denominado 'flex'

Marina Guimarães, correspondente

03 de junho de 2014 | 10h53

BUENOS AIRES - O Brasil e a Argentina devem oficializar um acordo para prorrogar por um ano o atual pacto comercial do setor automobilístico, que expira em 30 de junho.

Segundo fontes argentinas envolvidas nas negociações, o Brasil já teria concordado em restabelecer o mecanismo denominado "flex", que é o número que se aplica sobre as exportações efetivamente realizadas, para definir o limite das importações sem pagamento de Imposto de Importação.

Pelo novo acordo, ainda segundo fontes, o flex ficaria entre US$ 1,6 a US$ 1,7, valores intermediários entre o desejado pela Argentina e que o Brasil estava disposto a aceitar. O número exato poderá ser definido em novo encontro previsto para esta quarta-feira, dia 5.

Em nota oficial divulgada pela ministra de indústria da Argentina, Débora Giorgi, após reunião mantida com o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges, em Brasília, o governo argentino informou que ambos os lados "coincidiram na importância de definir os últimos aspectos das negociações na capital argentina", com a presença do ministro de Economia da Argentina, Axel Kicillof.

A nota destacou que na reunião realizada na segunda-feira houve "avanços nas tratativas para lavrar um novo protocolo automotor".

A proposta inicial da Argentina dizia que para cada dólar exportado em produtos automobilísticos ao Brasil, poderia importar US$ 1,3 do país sócio. Nos últimos dias 27 e 28, os setores privados e os governos de ambos os lados mantiveram intensas rodadas de negociação que ficaram travadas por causa do flex.

O flex foi um instrumento que vigorou até junho passado, quando o comércio foi liberalizado. Sua volta era rejeitada pela Anfavea. Há três semanas, o ministro Borges, antecipou a intenção de prorrogar por um ano o acordo bilateral e sinalizou que o Brasil poderia aceitar a volta do flex, desde que não seja de US$ 1,30 como pedia a Argentina. Segundo ele, tinha que ser perto de US$ 1,95.

Há poucos dias, a Anfavea apresentou ao governo brasileiro, um pedido de prorrogação do acordo por dois anos do jeito que está, sem o "flex". Até a metade do ano passado, para cada dólar que a Argentina exportava ao Brasil, podia importar US$ 1,95 em produtos automotivos. No caso do Brasil, para cada dólar exportado à Argentina, podia importar US$ 2,5, sem pagar impostos.

Além do acordo, ambos os governos se comprometeram a trabalhar nos próximos quatro meses na composição de uma lista de autopeças que podem ser fabricadas e homologadas no bloco regional. E quais devam ser importadas. O objetivo é reduzir a importação de autopeças de terceiros países de fora do Mercosul.

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