Brasil e Argentina discutirão rumos do comércio

O embaixador do Brasil em Buenos Aires, José Botafogo Gonçalves, reúne-se amanhã com o ministro argentino da Produção, José Inácio de Mendigurén, para tratar dos rumos da Argentina para a sua política comercial e da reativação das negociações bilaterais pendentes. Na prática, o encontro deverá indicar ao governo brasileiro até que ponto deverá manter sua posição de cautela ao discutir temas relacionados ao comércio com o país vizinho. O encontro de hoje será o primeiro entre Botafogo e De Mendigurén, desde que foram nomeados para seus novos cargos. Em novembro do ano passado, ambos haviam se reunido em Buenos Aires. Na época, o embaixador ainda era o Representante da Presidência da República para Assuntos de Mercosul. O ministro argentino, por sua vez, presidia a União Industrial Argentina (UIA) e liderava manifestações contra a importação de produtos brasileiros, como os calçados. Um dos principais tópicos será a criação de um mecanismo de garantia de créditos no comércio entre os dois países, sob o modelo do atual Convênio de Crédito às Exportações (CCR). Esse instrumento, batizado como CCR bilateral, permitiria a normalização dos embarques do trigo argentino para o mercado brasileiro e poderia reativar as exportações do Brasil para o país vizinho.Outro tema da agenda será a possível reforma do acordo automotivo, de forma a impedir a punição de montadoras brasileiras que superarem seus limites de compra de veículos produzidos na Argentina. Até o momento, o Itamaraty mantém uma posição de cautela em relação às declarações de autoridades argentinas sobre a política comercial. Fontes da diplomacia argumentam que, enquanto não forem indicados os nomes dos que vão conduzir as negociações bilaterais, não haverá clareza sobre a linha que será seguida. Em geral, o discurso do governo argentino é de rejeição a práticas protecionistas. Mas as autoridades acrescentam que é preciso aplicar medidas de defesa comercial. O fato levanta a suspeita do governo brasileiro de que possam ser erguidas novas barreiras contra as exportações de seus produtos. Leia o especial

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