Brasil e Argentina divergem em negociações na OMC

O Mercosul não se entende sobre a posição que deverá tomar na fase final das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). Pressionado pela indústria local, o governo argentino está resistindo a cortes profundos em suas tarifas de importação e alguns setores querem inclusive uma elevação das taxas. Já o Brasil, ávido por um acordo agrícola, está mais disposto a aceitar a liberalização sugerida pela OMC no setor industrial como pagamento pelos ganhos que teria nas exportações agrícolas. Hoje, em Genebra, diplomatas e altos negociadores do Brasil e Argentina se reuniram em um encontro para tentar aproximar suas posições. Em público, o discurso é de união dentro do bloco. Dentro das salas de reunião, diplomatas confirmam que as diferenças nas posições dos dois países é grande. Segundo diplomatas, a pressão das indústrias argentinas por proteção está impedindo qualquer flexibilidade por parte dos negociadores, que por sua vez estão sendo pressionados para aceitar maiores cortes em suas tarifas. Pela última proposta da OMC, os cortes de tarifas de bens industriais poderiam chegar a 65%, ainda que o Mercosul possa escolher 14% de suas linhas tarifárias para manter certas proteções. Para a Argentina, esses valores ainda não são suficientes. "Estamos muito longe de um acordo", afirmou o diretor do departamento de Negociações Econômicas Internacionais da Argentina, Nestor Stancanelli. Já o Brasil vem adotando uma postura mais positiva nas negociações. Mesmo que esteja criticando publicamente as propostas de liberalização, nos bastidores está tentando convencer os demais países emergentes a flexibilizar suas posições. Isso porque a diplomacia nacional já teria se dado conta que um acordo no setor agrícola poderia trazer ganhos. AtaquesO Mercosul também é atacado pelos países ricos. A principal crítica de americanos e europeus é quanto às flexibilidades que a nova proposta dá ao Mercosul para manter certas barreiras. "Até agora o Brasil não nos explicou o motivo pelo qual precisam dessas flexibilidades extras", atacou o embaixador dos Estados Unidos na OMC, Peter Allgeier. "Nós não somos os únicos que nos queixamos das flexibilidades recebidas pelo Mercosul. Muitos não estão de acordo", completou. Diante do cenário, o desânimo volta atingir a OMC. "Não tenho porque apresentar por enquanto um novo rascunho de um acordo na OMC enquanto os países não aproximarem suas posições", afirmou o mediador das negociações, Don Stevenson.

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