coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Brasil e Argentina fecham acordo automotivo

Brasil e Argentina finalizaram hoje os termos do novo acordo automotivo bilateral, que passa a vigorar em 1º de julho. Pelos termos do acordo, ficou postergada a definição de uma data para a entrada em vigor do livre comércio de automóveis e autopeças , como queriam os argentinos. O acordo fechado ontem foi considerado de transição e terá validade de 2 anos, expirando em 30 de junho de 2008."A conjuntura econômica não dá clareza para definir uma política de longo prazo, por isso os países optaram por estabelecer uma política de transição para que haja maior previsibilidade econômica", explicou o secretário de Desenvolvimento da Produção, Antonio Sérgio Mello. "Achamos que em dois anos as variáveis econômicas dos dois países estarão mais claras para definirmos as bases do livre comércio", afirmou. "A meta é, sem dúvida, o livre comércio. Estamos construindo as condições para isso", completou o secretário.Na segunda-feira, o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, irá a Buenos Aires para assinar o acordo juntamente com a ministra da Economia da Argentina, Felícia Micelli.Detalhes do planoO Brasil conseguiu que o mecanismo conhecido como flex, que define o fluxo de comércio bilateral isento de tarifas de importação continue tendo como base os dados por País. Os argentinos queriam fixar um valor por empresa. Pelo acordo fechado, para cada US$ 1,95 exportado pelas empresas brasileiras para a Argentina, US$ 1 terá que será importado pelo Brasil. Essa proporção atualmente é de US$ 2,60 para US$ 1. A redução foi uma exigência do governo argentino, que vê nas exportações brasileiras de veículos e autopeças um risco às indústrias locais.Mello explicou, no entanto, que a mudança não irá prejudicar as empresas brasileiras. Segundo ele, em maio deste ano, o flex do lado brasileiro foi de US$ 1,81. Além disso, o acordo estabeleceu que nos primeiros doze meses, a média das exportações brasileiras nesta proporção poderá atingir US$ 2,10. Mas terá que ser compensado nos 12 meses seguintes para fechar os dois anos dentro da relação estabelecida, de US$ 1,95 por US$ 1. "Fizemos todas as simulações para ver o limite a que podíamos chegar sem ter efeito no comércio", explicou.O secretário disse que também foi uma vitória brasileira ter conseguido evitar a fixação de cotas para exportação de montadoras brasileiras que não têm fábricas de veículos na Argentina. A fixação dessas cotas era outra reivindicação argentina, mas o Brasil conseguiu que ela ficasse de fora.O acordo fechado ontem estabelece ainda prazo até 31 de dezembro deste ano para que Brasil e Argentina definam uma política tarifária comum para autopeças. Atualmente, o Brasil concede um desconto de 40% na importação de autopeças provenientes de países de fora do Mercosul, o que tem criado descontentamento das fabricantes brasileiras de autopeças, que enxergam no benefício uma concorrência desleal.Segundo Mello, a idéia é harmonizar a política tarifária entre os dois países, de forma que contemple também o setor brasileiro de autopeças. Até lá, as montadoras brasileiras poderão continuar usufruindo da redução do imposto de importação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.