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Brasil e Argentina mais perto de acordo

Representantes dos dois países voltam a se reunir na próxima quinta-feira em Brasília; nos bastidores, o clima é de conciliação

Ariel Palacios e Raquel Landim, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

Representantes de Brasil e Argentina vão se reunir na quinta-feira, 2 de junho, em Brasília para tentar novamente pôr fim a disputa comercial. Como "gesto de boa vontade", os dois lados começaram ontem a liberar a entrada de US$ 40 milhões de cada lado em produtos na fronteira.

O governo brasileiro autorizou o ingresso de automóveis argentinos até esse limite de valor. Não havia informações concretas dos produtos que a Argentina liberou, mas a expectativa é que fosse autorizada a entrada de máquinas agrícolas.

Depois do fracasso das conversas em Buenos Aires, o clima mudou e a intenção dos dois governos é resolver a situação rapidamente. Na capital portenha, a posição argentina era de que "não iria amolecer", mas em conversas privadas entre os ministros as indicações foram diferentes.

A princípio, devem liderar novamente as conversas o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento do Brasil, Alessandro Teixeira, e o secretário da Indústria da Argentina, Eduardo Bianchi.

No entanto, a ministra argentina da Indústria, Débora Giorgi, também foi convidada a vir a Brasília e seu colega brasileiro, Fernando Pimentel, vai insistir na sua presença . Se Giorgi comparecer, é mais uma indicação de que uma solução para o problema está próxima.

O conflito entre os dois países esquentou depois que o Brasil começou a aplicar licenças não automáticas de importação para veículos. A medida atingiu em cheio a Argentina e foi vista em Buenos Aires com uma retaliação pelas barreiras do país vizinho aos produtos brasileiros.

É provável que a solução do conflito passe por acordos de restrição "voluntária" das exportações de produtos brasileiros. Esse mecanismo já foi utilizado em outras ocasiões para solucionar embates entre os dois países, embora seja contrário ao espírito do Mercosul.

Máquinas agrícolas. A expectativa da Argentina é que pelo menos os fabricantes de máquinas agrícolas concordem com o estabelecimento de cotas. Nesse setor, o governo Kirchner alega existir um déficit de US$ 450 milhões com o Brasil.

O caso das máquinas agrícolas foi citado há duas semanas por Giorgi por carta e telefone a Pimentel. No início desta semana o assunto veio à tona novamente no encontro entre Bianchi e Teixeira. "A Argentina está esperando que o Brasil dê uma resposta sobre a proposta feita na terça-feira passada", disseram porta-vozes do lado argentino.

Os porta-vozes afirmam que a ministra está "otimista", já que as negociações "prosperarão", pois existe "boa vontade em ambos países". Na prática, a alfândega argentina tornou-se uma verdadeira trincheira que impede a entrada de máquinas agrícolas brasileiras. Segundo Dante Sica, ex-secretário de Indústria e diretor da consultoria portenha Abeceb, "desde o início deste ano não entram tratores ou colheitadeiras na Argentina".

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