Brasil e Argentina podem chegar a acordo parcial

O possível acordo de autolimitação das exportações brasileiras de eletrodomésticos da linha branca para o mercado argentino pode começar a ser esboçado hoje. Embora os empresários do setor de ambos países não tenham chegado a um entendimento durante a reunião realizada ontem, em Buenos Aires, eles manifestaram a intenção de fechar um acordo entre hoje e amanhã."Se não chegarmos à um entendimento geral, pelo menos chegaremos a consensos parciais de produto por produto", disse um empresário argentino à AE. Ele informou que existe uma disposição do setor privado de continuar as reuniões na sexta-feira para solucionar o conflito chamado de "guerra das geladeiras". Por enquanto, as maiores possibilidades de acordo se concentram no ramo de fogões.Às 10 horas, na Secretaria de Indústria da Argentina, o secretário Alberto Dumont se reunirá com o secretário executivo do ministério de Desenvolvimento e Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Márcio Fortes, com o secretário de Política Exterior, Ivan Ramalho, e com o embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho, diretor geral de Integração, do Itamaraty. Deste encontro também participam as equipes técnicas de ambos países.Além das barreiras contra os eletrodomésticos, eles vão discutir outros problemas que vêm provocando atritos na relação comercial entre os dois sócios: máquinas agrícolas e automóveis brasileiros exportados para a Argentina. No primeiro caso, o aumento das importações argentinas subiram 117% no primeiro trimestre de 2004, comparando com o mesmo período de 2003. Fogões já foram discutidosOs representantes dos governos vão discutir os números e as propostas iniciais para a autolimitação do Brasil em suas exportações de fogões ao mercado argentino. Estas foram as primeiras discutidas ontem pelo setor privado argentino e brasileiro.Pelo lado brasileiro, as negociações entre os empresários estão sendo realizadas por Maria Teresa Bustamante, coordenadora de Comércio Exterior da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, e pela economista Eliana Guimarães, também da Eletros. Do lado argentino estão os presidentes das Câmaras de Artefatos a Gás (Cafagas), Hugo Ganim, e de Fabricantes de Aparelhos Elétricos (Cafaemeh), José Sanjuan, entre outros industriais.De acordo com José Sanjuan, os fogões são o problema menor do conflito contra a linha branca brasileira e foram os únicos a serem debatidos na primeira reunião desta nova rodada de negociação. "Já passamos mais de seis meses nos reunindo para chegar a um acordo, mas agora esperamos que chegaremos a um consenso", disse à Agência Estado.Ele explicou que foram realizadas reuniões separadas, durante mais de três horas, até o início da noite de quarta-feira, e se sentaram frente a frente somente para discutir as cotas dos fogões. Caso o acordo dos fogões seja fechado hoje, o governo argentino suspenderia as barreiras comerciais contra este produto, mas manteria as demais contra geladeiras, máquinas de lavar roupa e televisores até que o Brasil aceite autolimitar seus envios à Argentina.

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