Brasil e Argentina tentam acordo sobre regime automotivo

Técnicos do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) do Brasil reuniram-se nesta quarta-feira, 28, pelo segundo dia consecutivo com integrantes do governo da presidente Cristina Kirchner em Buenos Aires para tentar avançar nas negociações sobre um acordo-tampão automotivo de um ano de duração. Esse acordo temporário regularia o comércio de veículos entre os dois países enquanto o Brasil e a Argentina discutirão o novo regime automotivo, de duração de cinco anos.

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

28 de maio de 2014 | 20h05

As reuniões para definir o novo regime automotivo estavam previstas inicialmente para o segundo semestre de 2012. Mas, problemas de agenda atrasaram as negociações em diversas ocasiões.

O regime automotivo, que foi renovado pela última vez em 2008, vence no dia 30 de junho. O regime impede a livre exportação e importação de veículos, na contra-mão do que estava previsto originalmente pelo Mercosul, que havia determinado o fim das barreiras comerciais automotivas entre os países-sócios a partir do ano 2000. No entanto, nos últimos 14 anos, todos os governos argentinos, desde o de Fernando De la Rúa até Cristina Kirchner, conseguiram arrancar do Brasil constantes renovações do regime. Os dois governos definem o sistema com o eufemismo de "comércio administrado".

O setor automotivo argentino é altamente dependente das exportações para o Brasil. O país envia ao mercado brasileiro metade de sua produção, ou, o equivalente a 86% das exportações automotivas. Por esse motivo, a queda das vendas dos veículos Made in Argentina no Brasil desespera as empresas em Buenos Aires e Córdoba. Segundo a Associação de Fabricantes de Automóveis da Argentina (Adefa) entre janeiro e abril as exportações de veículos argentinos ao mercado brasileiro foi de 95.215 automóveis, o equivalente a 19 mil a menos em comparação com o mesmo período de 2013.

Greve

Córdoba foi nesta quarta o cenário de uma greve do setor metalúrgico para protestar contra as demissões, suspensões e eliminação de horas extras de operários de fábricas de autopeças e montadoras instaladas nessa província na região central da Argentina. As manifestações foram protagonizadas pela União Operária Metalúrgica (UOM), cujo líder, Rubén Urbano, sustentou que "os empresários devem entender que os trabalhadores não podem ser sempre a variável de ajuste". Segundo ele, as demissões estão ocorrendo "a conta-gotas" mas de forma persistente.

Segundo dados do ministério do Trabalho 15 mil operários foram suspensos nas indústrias do setor automotivo desde janeiro. Mais de 165 mil pessoas estão vinculadas à indústria automotiva no país.

Há uma semana a tensão escalou quando a General Motors anunciou que cortaria os salários dos operários em 35%. No entanto, devido às pressões dos trabalhadores, posteriormente indicou que discutiria o assunto com os sindicatos. Neste cenário de tensão generalizada nas últimas duas semanas sindicalistas ocuparam diversas fábricas de autopeças para exigir o fim das demissões e suspensões.

Dados das concessionárias argentinas indicam que nos primeiros 23 dias de maio as vendas de automóveis no mercado interno registraram uma queda de 39,5% em comparação com o mesmo período do ano passado. Por trás da queda estariam a escalada inflacionária, a desvalorização da moeda, o aumento de tributos sobre os veículos, entre outros fatores.

A consultoria econômica Abeceb indicou em um relatório hoje que a atividade industrial argentina terá uma queda geral de 3% neste ano. No entanto, considera que o setor automotivo sofrerá uma redução de 15% em 2014.

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