Brasil e Argentina vão discutir novo acordo para carro

Acerto atual vence no fim de 2013, mas os dois países querem ir se preparando, já a partir de julho, para a negociação do novo tratado

MARINA GUIMARÃES , TÂNIA MONTEIRO, ENVIADAS ESPECIAIS / MENDOZA , O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h06

Brasil e Argentina vão começar a discutir um novo acordo comum para o setor automobilístico a partir de julho. "Os dois países estão decididos a iniciar a negociação porque o atual acordo vence no fim de 2013 e temos que ir nos preparando", disse ontem ao 'Estado' uma fonte do governo argentino que pediu anonimato.

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, acertou na noite de quinta-feira com sua colega argentina, Débora Giorgi, agendar um primeiro encontro para tratar do assunto na segunda quinzena de julho.

"A ideia é avançar em um acordo que possa reverter o déficit de autopeças que temos com outros países - são US$ 22 bilhões do Brasil e US$ 6,9 bilhões da Argentina em déficit", ressaltou a fonte argentina.

Durante as reuniões preparatórias para a Cúpula do Mercosul, que se encerrou ontem em Mendoza, na Argentina, representantes do governo Cristina Kirchner disseram que irão afrouxar as barreira impostas contra a carne suína do Brasil para, em contrapartida, restabelecer exportações de carros, azeitonas, azeite de oliva e outros alimentos ao mercado brasileiro.

A medida é parte de um "acordo de cavalheiros" entre os governos dos dois países, encaminhado em Mendoza, e envolve cerca de 10 produtos sensíveis de ambos os lados da fronteira, cuja comercialização se encontrava virtualmente paralisada.

Azeitonas. Os argentinos decidiram recuar após notícia de fechamento de duas fábricas de azeitonas e azeite de oliva, nesta semana, em La Rioja e Mendoza. A primeira, Nucete, emprega 500 operários, e 75% de suas exportações são absorvidas pelo mercado brasileiro. A outra é a Finca La Liliana.

O secretário de Agroindústria da Província de Mendoza, Marcelo Barg, relatou ao Estado que manteve reuniões com a secretária de Comércio Exterior do Brasil, Tatiana Prazeres, e empresários locais, para transmitir ao governo brasileiro a asfixia da indústria mendozina.

O fator que pesou na decisão do governo de Cristina Kirchner para começar a acelerar as importações foram o pé no freio que o Brasil colocou para a entrada dos carros argentinos, que se acumulam nos depósitos das fábricas.

"Se, de fato, eles destravarem as barreiras contra a carne suína, como estão anunciando, nós poderemos fazer um gesto e, por exemplo, destravar algumas importações de carros argentinos, que estão paradas há mais de 60 dias", comentou uma autoridade do governo brasileiro.

O "acordo", no entanto, ainda não está fechado, como querem fazer crer autoridades argentinas. Ao deixar o hotel Sheraton, onde a delegação brasileira ficou hospedada, a secretária de Comércio Exterior, ao ser questionada se Brasil e Argentina tinham chegado a um acordo, perguntou: "que acordo?"

No início da noite de ontem, o Ministério de Agricultura da Argentina informou em nota oficial que a Argentina garante a entrada efetiva de um grupo de produtos do Brasil. Em contrapartida, espera que o Brasil comece a liberar licenças para uma lista de produtos argentinos.

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