Brasil é atração na reunião de bancos centrais

?Temos uma boa notícia: os países latino-americanos, principalmente o Brasil, não deverão ser contagiados pela situação na Argentina". Foi dessa forma que o presidente do Banco Central da Inglaterra, Eddie George, abriu a entrevista coletiva à imprensa internacional na sede do Banco Internacional de Compensações (BIS), na Basiléia. Durante o dia de hoje, os dez maiores bancos centrais do mundo (G-10) e o diretor do FMI, Horst Köeller, se reúnem na cidade suíça para fazer uma análise da situação financeira mundial. Um dos convidados foi o presidente do BC brasileiro, Armínio Fraga, que fez uma exposição da situação do País. Eddie George, que além de presidente do BC inglês é porta-voz do G-10, afirmou que, ao adotar políticas macroeconômicas ?sólidas?, o Brasil conseguiu diminuir sua vulnerabilidade aos choques gerados pelo parceiro do Mercosul. ?Em 2001, O Brasil sobreviveu à crise econômica global, aos problemas energéticos e ao contágio da Argentina", disse George, que ainda ressaltou que os investidores já sabem diferenciar a situação vivida pelo Brasil da Argentina. O principal ator do encontro, porém, foi o vice-presidente do Banco Central da Argentina, Mario Blejer, que expôs aos xerifes das finanças internacionais as medidas adotadas pelo presidente argentino Eduardo Duhalde. Mas a tentativa da Argentina de convencer os dirigentes das finanças internacionais sobre a eficácia do novo pacote parece não ter tido os efeitos que Buenos Aires gostaria. A reunião do BIS concluiu que ainda é cedo para se avaliar se a nova política econômica da Argentina será suficiente para resolver sua crise. "A análise que fizemos é de que se trata de uma situação extremamente difícil. Não haverá solução rápida para os problemas", afirmou George. FMI e a ArgentinaUma declaração de apoio da comunidade internacional teria sido fundamental para a Argentina conseguir renegociar um pacote de ajuda com o FMI. Mas para o G-10, o Fundo já deu ?muito apoio? aos argentinos, mesmo sem as mudanças necessárias na economia do país. ?Muitos, até mesmo dentro do Fundo, criticaram a manutenção do apoio diante da situação insustentável que vivia a Argentina?, esclareceu George, que lembrou que Buenos Aires já havia negociado um pacote de emergência com o Fundo no ano passado. ?O bolso do FMI não é infinito, e a Argentina deve resolver os problemas nos quais ela mesmo se colocou?, completou o britânico. O G-10 não esconde que 2002 será um ?ano difícil? para a Argentina, e que o país terá que colocar todas suas energias para estabilizar a situação. O que parece fazer a comunidade internacional respirar aliviada é o fato de que "os problemas da Argentina devem ficar mesmo na Argentina", e que o principal mercado emergente da América Latina - o Brasil -, não será atingido. De fato, a passagem de Fraga e de Blejer pela Basiléia foi um retrato da diferença entre Brasil e Argentina no cenário econômico internacional. Enquanto Fraga era elogiado publicamente pelo porta-voz do G-10, o argentino passou o dia tentando responder às perguntas dos presidentes dos bancos centrais do mundo sobre o futuro de seu país. Leia o especial

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