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Brasil é bem-sucedido em políticas macroprudenciais e monetárias, diz FMI

Declaração foi dada por David Vergara, representante do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional, durante o XIV Seminário de Metas para a Inflação

Daniela Amorim, da Agência Estado,

11 de maio de 2012 | 19h03

O Brasil é um exemplo bem-sucedido de adoção de políticas tanto macroprudenciais quanto monetárias com o objetivo de buscar estabilidade financeira e macroeconômica, segundo David Vergara, representante do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"No caso do Brasil, podemos dizer que o uso de ambas as políticas foi o que fortaleceu os efeitos na economia", disse Vergara, durante o XIV Seminário de Metas para a Inflação, promovido pelo Banco Central, no Rio.

Vergara lembrou que os países emergentes utilizaram as medidas de forma mais intensas do que outros países após a crise. Mas alertou que ainda é difícil monitorar riscos sistêmicos à economia e avaliar quando agir para evitá-los. "Quão confiável é o kit de ferramentas atuais para avaliar o risco sistêmico? Nada se mostrou confiável, pelo menos não no nível que desejamos", disse.

Na avaliação de Stephen Cecchetti, economista do Banco de Compensações Internacionais (BIS), as políticas podem não ter a potência necessária. "As políticas macroprudenciais são difíceis de desenhar e implementar.

As perspectivas de sucesso são difíceis de serem controladas pelo Banco Central", declarou. "São instrumentos praticamente iguais aos microprudenciais, mas com o objetivo de reduzir impactos das individualidades que surjam no sistema. É importante não usar o termo para fazermos o que quisermos fazer, com a desculpa de proteger o sistema. Essa é a minha preocupação".

Cecchetti defendeu que a estabilidade financeira requer uma política monetária simétrica, uma política fiscal sustentável e uma política regulatória rigorosa e bem desenhada.

O economista americano Timothy Kehoe, da Universidade de Minnesota e conselheiro do Banco Central de Minnesota, comentou que políticas não convencionais para enfrentamento de crises, como o choque de liquidez, têm curto potencial e não funcionam com a mesma eficiência em países com realidades distintas.

"Ficou claro que a grande depressão acabou? Os Estados Unidos não parecem tão mal. A América Latina parece melhor, mas a Europa não. O Reino Unido está com recessão, a Espanha está com recessão, a Alemanha não está crescendo nada", apontou Kehoe, durante o XIV Seminário de Metas para a Inflação, no Rio. "Os espanhóis estão muito preocupados, porque estão entrando em uma grande depressão."

As políticas anticrise não convencionais, incluindo o choque de liquidez promovido pelo banco central americano, o Federal Reserve, podem ter salvado a economia dos Estados Unidos de uma nova depressão, como a dos anos 30, defendeu Marco Del Negro, vice-presidente assistente de Estudos Monetários e Macroeconômicos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

"Se tiramos essas políticas, a crise teria sido bastante mais forte", afirmou Del Negro. No entanto, os custos dessas políticas são altos e beneficiaram os agentes que causaram o desequilíbrio", alertou Kehoe. "Os benefícios dessas políticas não convencionais têm um curto potencial. Vocês estão comprando as pessoas, vocês dão lucros para pessoas que participavam de atividades fraudulentas", afirmou Kehoe. "São mais danos morais."

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