Brasil é beneficiado com queda do risco global

O Banco Internacional de Compensações (BIS, sigla em inglês), em seu relatório trimestral divulgado hoje, destacou que o Brasil foi um dos principais beneficiados pela busca de retornos mais elevados entre os investidores internacionais nos primeiros meses deste ano, inclusive voltando a realizar uma emissão soberana em maio com sucesso. Em contrapartida, o banco informou que a exposição dos bancos estrangeiros no Brasil registrou no último trimestre do ano passado a sua maior queda desde o final de 2001, apesar da melhora do sentimento dos investidores em relação ao país. O BIS ressaltou que a redução dos juros nos Estados Unidos e a conseqüente queda dos retornos obtidos pelos investidores, beneficiou neste ano os países emergentes, que passaram a atrair um maior fluxo de investimentos por oferecem retornos mais elevados. O real do Brasil, o peso argentino o rand da África do Sul e outras moedas se valorizaram com a migração de investimentos externos nos mercados locais de renda fixa. Além disso, os spreads sobre os bônus em dólares de mercados emergentes caíram em média 200 pontos base entre dezembro do ano passado e o final de maio, atingindo o seu menor nível desde 1998. "Mesmo países com pesadas dívidas como o Brasil e a Turquia, que se viram impedidos de ter acesso os mercados de capitais internacionais desde julho do ano passado, recuperaram o acesso em termos relativamente favoráveis", disse o banco. O BIS ressaltou que o Brasil foi o principal responsável pelo aumento das captações externas dos países em desenvolvimento nos primeiros meses de 2003. As captações brasileiras representaram mais de 60% do total. "Os brasileiros aproveitaram da queda na aversão ao risco entre os investidores globais e a diminuição da incerteza política no país no primeiro trimestre de 2003 e realizaram empréstimos pesados", disse o banco. Segundo o BIS, um fato relevante nos primeiros meses de 2003 foi a incorporação de cláusulas de ação coletiva (CACs) nas emissões soberanas do México, Brasil e Uruguai. Exposição estrangeira cai no final de 2003 - Segundo o BIS, a contração da exposição estrangeira no Brasil no último trimestre de 2002 cresceu para 12% em relação ao mesmo período em 2001 e foi quase o dobro da redução registrada no trimestre anterior, período que antecedeu a eleição presidencial. A exposição das instituições não bancárias permaneceu estável, mas os créditos dos bancos estrangeiros no país cairam US$ 6,1 bilhões, a maior queda desde o segundo trimestre de 2001. Segundo o BIS, essa queda ocorreu principalmente pela redução da exposição. Embora o Brasil continue sendo com folga o país que abriga a maior exposição bancária estrangeira entre os emergentes, a fatia dos créditos concedidos ao país no último trimestre do ano passado caiu para 32% ante os 34% registrados nos três trimestres anteriores. Além disso, os novos empréstimos sindicalizados concedidos ao país caíram para US$ 600 milhões no último trimestre de 2002 ante os US$ 2,4 bilhões registrados um ano antes. "Entretanto, possivelmente refletindo a maior calma no quarto trimestre, os compromissos de créditos não-desembolsados concedidos ao Brasil cresceram após terem declinado durante quatro trimestres consecutivos", observou o banco.

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