Brasil e BID decidem crédito para pequenas e médias empresas

O Governo brasileiro e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) assinaram nesta sexta-feira no Rio de Janeiro um acordo para a criação de uma linha de crédito no valor de US$ 6 bilhões, destinada a pequenas e médias empresas. O acordo foi assinado pelo presidente do BID, Enrique Iglesias, e o vice-presidente do BNDES, Damian Fiocca, em uma cerimônia realizada na sede do banco brasileiro de incentivo ao desenvolvimento.Por meio deste convênio, ambas as partes darão US$ 3 bilhões para uma linha de crédito que o BNDES abrirá e cujo objetivo será apoiar o desenvolvimento das pequenas e médias empresas no Brasil, segundo um comunicado do banco brasileiro. O acordo, diz a nota, estabelece condições que facilitam e agilizam os empréstimos que serão concedidos. Segundo o banco brasileiro, o primeiro empréstimo do BID para a nova linha de crédito, no valor de US$ 1 bilhão, já foi aprovado pelo Senado e será assinado nos próximos dias. Os recursos permitirão às pequenas empresas aceder a créditos baratos e com longos prazos de amortização para financiar seus projetos de investimento, aumentar a competitividade e ampliar sua capacidade de geração de empregos.O BNDES lembrou que, apesar das dificuldades para conseguir empréstimos, as pequenas e médias empresas são responsáveis atualmente por 60% da contratação de mão-de-obra no Brasil. A linha de crédito anunciada hoje praticamente dobra os US$ 3,5 bilhões à disposição de pequenas e médias empresas nos últimos quatro contratos entre o BID e o BNDES para este setor.O último acordo entre ambas instituições, assinado em maio de 2002, criou uma linha de crédito por US$ 900 milhões, que foi totalmente distribuído em apenas 23 meses. "Foram mais de 29.000 operações de crédito administradas por 87 agentes financeiros", segundo a nota do banco brasileiro. De acordo com uma inspeção realizada pelo BID, 95% desses empréstimos teve resultado satisfatório.Crise políticaIglesias disse que não vê nenhum impacto negativo da crise política brasileira na economia ou na credibilidade internacional do País. Ele disse que todos os países enfrentam problemas nessa área, como parte da democracia. No caso do Brasil, ele avalia que "as instituições estão muito firmes e a democracia está muito segura".Para ele, o Brasil tem hoje uma "administração econômica impecável, muito respeitada dentro e fora do País". Iglesias permanece na presidência do BID até o dia 30 de setembro, quando será substituído pelo colombiano Luis Moreno.

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