Brasil e Canadá perto de acordo sobre mercado de aviões

Brasil e Canadá decidiram nesta terça-feira colocar uma pedra em cima da disputa do mercado de aviões entre a Embraer e a Bombardier. Mas, para isso, falta chegar a um acordo que impeça a concessão de subsídios camuflados. Esse foi o principal saldo da reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o primeiro-ministro canadense, Paul Martin. "Avançamos nas conversas bilaterais sobre a indústria aeronáutica", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Estamos aprofundando a compreensão e ampliando a confiança para a conclusão de acordo no mais curto prazo possível". No mesmo tom, o canadense comentou: "já houve diferenças de opinião entre o Brasil e o Canadá, mas acredito que obtivemos sucesso no nosso objetivo de revigorar e lançar a importante relação entre os dois países". O principal empecilho a um armistício definitivo é o chamado "Projeto C" da Bombardier, pelo qual a empresa receberia um financiamento de cerca de US$ 700 milhões do governo canadense. "O que se discute é como evitar que haja distorção de mercado", disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que participou do encontro. Na sua avaliação, a ajuda do governo canadense à Bombardier seria "inaceitável." Ele lembrou que a Embraer desenvolveu seu projeto 170-190 inteiramente com recursos próprios. As conversas deverão prosseguir pelo menos até o final deste ano. "Nunca estivemos tão perto de um acordo, mas ainda há pontos a negociar", disse o embaixador do Brasil no Canadá, Valdemar Carneiro Leão. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que "existe um ambiente político propício a um acordo" e apontou a possibilidade de a companhia Air Canadá comprar 45 aviões da Embraer como indício de um clima mais positivo. Desde 1996, Embraer e Bombardier brigam pelo mercado de jatos regionais e se acusam mutuamente de beneficiar-se de subsídios ilegais. Os dois lados moveram processos na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Os dois ganharam, o que significa que também os dois perderam", disse Carneiro Leão. O Canadá ganhou o direito de retaliar comercialmente o Brasil em US$ 1,4 bilhão e o Brasil, o direito de retaliar o Canadá em US$ 247,8 milhões. "Aplicar retaliações não pareceu vantajoso a nenhum dos dois, que ainda têm um comércio pequeno: perto de US$ 2 bilhões. Por ora, as retaliações não serão aplicadas", disse Amorim.

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