Brasil e Chile avaliam estratégia de ação no cenário internacional

Brasil e Chile, os dois países sul-americanos que mais deixaram claras posições contrárias à ocupação do Iraque por Estados Unidos e aliados, iniciam amanhã uma análise conjunta do cenário internacional que resultará desse conflito e de uma possível atuação combinada no Conselho de Segurança da ONU a partir do início de 2004. As conversas se darão durante a visita da ministra de Relações Exteriores do Chile, Soledad Alvear, com o chanceler brasileiro, Celso Amorim, no Itamaraty.A estratégia de atuação afinada entre os dois países deverá ser colocada em prática em 2004, quando o Brasil passará a ocupar uma das nove cadeiras não-permanentes do Conselho de Segurança - aquelas que não contam com direito a veto dos temas em votação. O Chile deverá cumprir, em 2004, seu segundo e último ano no Conselho, igualmente como membro temporário.Os dois países têm interesse no projeto de reforma da ONU que possa adequá-la ao atual cenário internacional, reforçar o sistema multilateral de solução de conflitos e impedir que novas ações unilaterais, como a adotada pelos Estados Unidos e pela Inglaterra, venham a se repetir. Durante todo o período de pressões dos Estados Unidos para angariar apoio à invasão ao Iraque, o governo chileno manteve-se inflexível na oposição, apesar de ter fechado no final de 2003 um acordo de livre comércio com o governo americano e de ter historicamente apoiado decisões políticas de Washington.Mesmo distante do Conselho de Segurança, o Brasil conseguiu projetar-se como país aliado às forças contrárias à guerra - em especial, a França, o Vaticano, a Rússia e a China - por iniciativa de Amorim e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em outra esfera, que envolve a segurança da América do Sul e sua maior integração física e comercial, o chanceler brasileiro deverá insistir na sua conversa com Alvear na retomada de negociações que possam elevar o grau de conexão entre os países envolvidos.

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