Brasil e Chile selam acordo comercial

Brasil e Chile fecharam hoje um acordo comercial quedeverá significar um aumento anual de US$ 460 milhões nas exportaçõesbrasileiras para o país vizinho. As importações de produtos chilenosdeverão aumentar em US$ 130 milhões. O acerto envolve a redução detarifas de importação para produtos dos setores agrícola, automotivo equímico e vinha sendo negociado há dois anos. A conclusão das conversasfoi anunciada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, logo quedesembarcou no Aeroporto Internacional de Santiago e foi informadopelos negociadores. ?O acordo, que era uma ambição do Brasil e do Chile há muito tempo,foi conseguido. De modo que isso me deixa feliz?, declarou FHC. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, arelevância do acordo está no fato de que permitirá maior acesso deprodutos brasileiros, sobretudo veículos e autopeças, ao mercadochileno. Com o acerto, os automóveis brasileiros poderão ingressar noChile em condições similares aos dos fabricados no México, país com oqual o vizinho sul-americano mantém um acordo de livre comércio. Asnegociações foram conduzidas a toque de caixa nos últimos dois dias.?O acordo tem importância. Temos como meta obter mais acesso aosprodutos brasileiros no exterior e enfrentamos basicamente doisproblemas para atingí-la. Um deles é a competitividade e a qualidade denossos produtos. O outro é a eliminação de barreiras comerciais?,defendeu Lafer.Quatro segmentosConforme detalhou o embaixador Carlos Alberto Simas Magalhães,assessor especial da subsecretaria de Assuntos de Integração,Econômicos e de Comércio Exterior do Itamaraty e responsável pela etapafinal das negociações, o acordo na área automotiva envolve quatrosegmentos, do ponto vista dos ganhos para a indústria brasileira.Para os veículos de passageiros e comerciais leves, a tarifa deimportação cobrada pelo Chile será reduzida para zero para um volume de40 mil veículos no primeiro ano de duração do acordo. Acima dessaquantidade, será cobrada a tarifa normal, de 6%. Em 2005, essa cotaabrangerá 60 mil veículos. A partir do ano seguinte, haverá livrecomércio nesse segmento, ou seja, qualquer quantidade desses produtosentrará no Chile isento da cobrança do imposto de importação.No caso de ônibus, a cota será de 1.500 unidades, com tarifa zero, noprimeiro e no segundo anos de vigência do acordo. Nos dois anosseguintes, aumentará para 2.000 unidades. Também haverá livre comércioem 2006. Para os caminhões, reboques, chassis com motor e tratoresrodoviários, a cota será de 3.000 unidades no primeiro ano e aumentará1.000 unidade por ano até 2006, quando também haverá mercado livre.Para as autopeças e as carrocerias, a tarifa cairá de 6% a zero logoque o acordo for protocolizado na Associação Latino-americana deIntegração (Aladi). Antes disso, terá de ser aprovado pelos outros trêssócios do Mercosul porque, apesar de ser bilateral, trata-se de umacerto adicional ao Acordo de Livre Comércio entre o bloco e o Chile. Para as montadoras do Chile, também haverá mais facilidades para aexportação de veículos ao Brasil. O acordo prevê a criação de uma cotade 15 mil veículos de passeio e comerciais leves chilenos no primeiroano, que poderão entrar no País com a tarifa reduzida de 27% para zero.Entretanto, terá de ser respeitada a proporção de 40% de peçasfabricadas no Chile ou no Mercosul em cada veículo embarcado ao Brasil.Em 2006, haverá livre comércio, desde que esse porcentual seja de 60%.Ou seja, esse acerto significará o aumento de importações chilenas deautopeças do Brasil e da Argentina.O Chile também ganhará mais acesso ao mercado brasileiro para opêssego em calda e os vinhos ? itens que concorrem diretamente com osproduzidos no Rio Grande do Sul. Será criada uma cota de 50 mil caixasde pêssego em calda no primeiro ano de vigência, com tarifa zero. Em2005, esse volume será de 120 mil e, no ano seguinte, será de 200caixas. No caso dos vinhos, o Brasil criará uma cota de 100 mil caixas,igualmente com tarifa zero, para os produtos que custem mais de US$ 50por garrafa. CarnesO Brasil conseguiu ainda alívio nas normas chilenas queenvolvem restrições às importações de carnes bovina, suína e de avespor razões sanitárias. Em abril, autoridades do Chile que trabalham nocontrole de doenças de rebanhos visitarão produtores brasileiros desuínos em Santa Catarina, no Paraná e no Rio Grande do Sul,frigoríficos gaúchos que trabalham com carne bovina e produtores decarnes de aves não-cozidas.

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