Brasil e China não chegam a acordo na área comercial

Brasil e China não concluíram o acordo para restrição voluntária das exportações de produtos chineses para o País. A falta de um acerto após vários dias de exaustivas negociações entre os técnicos dos dois países foi anunciado no início desta tarde na China, pelo ministro do Comércio, Desenvolvimento e Indústria do Brasil, Luiz Fernando Furlan e causou um visível constrangimento ao ministro do Comércio da China, Bo Xilai. Os dois países,entretanto, mantém as negociações abertas. O fracasso desta rodada de negociações irritou o ministro brasileiro também. "Não viemos aqui para assinar um acordo qualquer", desabafou e saiu da sala de reunião no 18º andar do Hotel Beijing. Pouco depois já recomposto, Furlan afirmou que "o acordo estava 99% fechado. A proposta brasileira já está impressa", afirmou em tom de reclamação ao ministro Bo Xilai. Furlan e os técnicos da delegação brasileira já embarcaram de volta para o Brasil. Para Bo Xilai, os problemas encontrados na parte final das negociações são meramente técnicos e podem ser solucionados. O que aconteceu Enquanto Bo Xilai estava na sala de reuniões, o acordo estava fechado, segundo Furlan. Pouco depois da saída do ministro chinês para atender outro compromisso, anteriormente agendado com uma delegação comercial japonesa, o vice-ministro do Comércio da China teria retirado um produto, que não foi identificado, da lista de negociações. "Isto atrasou tudo. Desde ontem, nós vínhamos afirmando que havia um tempo limitado para as negociações", afirmou o ministro brasileiro que tinha vôo programado para às 14h30 de hoje. O que emperrou as negociações, segundo os bastidores das negociações foi a incompatibilidade e necessidade brasileiras com as possibilidades chinesas. O acordo na área têxtil, por exemplo, era tido como praticamente certo, mas as negociações emperraram quando as delegações técnicas começaram a debater a fórmula e os termos empregados em um eventual acordo para autolimitação das exportações de produtos como sapatos, auto falantes e autopeças. Para os chineses, um texto mal redigido abriria espaço para idêntica reivindicação de outros países, pois poderia haver uma interpretação dúbia de uma das cláusulas da proposta de ingresso da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), o que criaria um grave precedente que iria contra os interesses chineses. Na interpretação de Pequim, os demais países poderiam invocar a mesma cláusula para conter as exportações de manufaturados da China. A cláusula diz respeito à limitação de produtos de uma forma geral. Ao mesmo tempo para os brasileiros, "é o mínimo aceitável para proteger segmentos de alguns setores, que não foram explicitados", disse uma fonte. Do ponto de vista chinês, não haveria maiores problemas em fazer as necessárias concessões na área têxtil, já que há o precedente com a União Européia. Dificuldade de comunicação Fontes ouvidas pela Agência Estado em Pequim apontam que as dificuldades nas comunicações lingüísticas criaram grave obstáculo para o encontro de uma terminologia adequada. Faltou tempo para que se encontrasse um acordo nos textos. Mas, é consenso entre os diplomatas das duas partes que há espaço suficiente para as negociações entre os dois países. Todos confirmaram, que as reuniões ocorreram em um ambiente muito bom, e as negociações permanecem abertas. Furlan e Bo Xilai chegaram a travar um diálogo em frente à imprensa, de que poderiam fechar o acordo eletronicamente, se fosse o caso. Ou mesmo realizar um encontro bilateral no próximo mês em Hong Kong.

Agencia Estado,

30 Setembro 2005 | 07h29

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