Brasil e China podem retomar negociações nas próximas semanas

O secretário executivo do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, disse que o governo aguarda para as próximas semanas a visita de uma missão do Ministério do Comércio da China. O grupo vem ao País para retomar as negociações bilaterais para reduzir as exportações de produtos chineses para o Brasil.Há cerca de três semanas, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, viajou para a China na tentativa de obter o contingenciamento das exportações chinesas, mas voltou de mãos vazias. Agora, a partir das negociações iniciais, os dois países retomam o diálogo.Na avaliação de Ramalho, a negociação das restrições terá, em diversos setores, um efeito muito mais rápido do que o das salvaguardas. Segundo o secretário, a limitação pode ser aplicada imediatamente após a finalização de um acordo, enquanto as salvaguardas levam pelo menos sessenta dias de investigação antes da decisão final sobre sua aplicação ou não.Até terça-feira, apenas o setor têxtil havia entrado com pedido de salvaguardas no Departamento Comercial (Decom) do MDIC. "Acho perfeitamente possível que os dois países fechem um acordo para a restrição voluntária. Para a indústria brasileira, a vantagem é de ter a aplicação mais rápida", afirmou.Posição chinesaOs chineses, segundo informou o embaixador Jiang Yuande, preferem as negociações à adoção de salvaguardas contra bens importados da China. A principal autoridade da China no País, que ainda não havia se manifestado sobre a adoção do mecanismo protecionista, evitou falar em retaliação contra o Brasil, mas ressaltou que as duas partes precisam criar um clima melhor de entendimento, de reconciliação e de respeito mútuo. A China, afirmou o embaixador, quer igualdade de benefícios na área comercial.Yuande salientou que o porcentual do comércio bilateral afetado pelas salvaguardas brasileiras responde apenas por 2% do comércio bilateral, que, neste ano, deve ficar em torno de US$ 10 bilhões. "É um pequeno problema", reiterou o embaixador. "E, por isso, preconizamos o diálogo construtivo e amistoso com resultados para as duas partes", complementou.

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