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Brasil é criticado nos bastidores do governo boliviano

A reação do governo brasileiro às últimas medidas do governo boliviano - por enquanto congeladas - levaram o Brasil a ser acusado de "imperialista" e "soberbo" nos principais gabinetes da administração do presidente Evo Morales. "O Brasil está tentando impor suas regras, mas não vai conseguir", disse um assessor direto do ministro do Planejamento, Carlos Villegas Quiroga. "A nacionalização é uma decisão do presidente e uma exigência do povo boliviano, que será atendida." De acordo com os mesmos assessores, que falaram de La Paz, o governo Morales entende que a Petrobras não deixará a Bolívia - "porque vale a pena continuar no país" - e que o Brasil não tem hoje de onde comprar gás para abastecer seu mercado interno. "O Brasil depende da Bolívia, e a bola está no nosso campo", afirmou o assessor. "A nacionalização tem prazo, 31 de outubro, e ela ocorrerá antes ou depois das eleições no Brasil. Depende de como o Brasil manterá as negociações com a gente."Dependência e paciência A certeza da dependência brasileira levou outro assessor do governo Morales a comentar: "Se o governo boliviano decide aumentar o preço do gás antes do primeiro turno das eleições brasileiras, pode acabar tendo segundo turno. O governo Lula sabe disso". Tanto nos bastidores da Presidência do país quanto nos ministérios que formam a equipe responsável por implementar a nacionalização - como as pastas de Hidrocarbonetos e Planejamento - acredita-se que a Bolívia sairá "vitoriosa" numa eventual arbitragem internacional com a empresa petroleira brasileira. "A Petrobras não está cumprindo os acordos ao não manter os investimentos no país e ao não concordar em ajustar o preço do gás nos níveis que necessitamos".Um diplomata brasileiro que negocia diretamente com as autoridades da administração Morales desabafou: "A Bolívia acha que nossa dependência é infinita e nossa paciência também". Para ele, não é assim tão simples. Morales tem hoje, afirmou, pelo menos três desafios. Um deles é a falta de investimentos do setor, que já limitariam a quantidade de gás produzido pelo país, de acordo com declarações feitas pelo presidente da Petrobras na Bolívia, José Freitas, à imprensa boliviana, na semana passada. Os outros desafios são a queda de braço com o Brasil e a oposição dos chamados "Comitês Cívicos" (que reúnem empresários e produtores rurais, entre outros) nos quatro dos nove departamentos (estados) do país. "Morales tem hoje desafios políticos e econômicos e cada vez que a situação complica dentro da Bolívia ele ataca o Brasil", afirmou o diplomata. Para ele, o Brasil - e, principalmente, a Petrobras - é realmente visto como "imperialista" por alguns líderes das comunidades indígenas e representantes dos movimentos sociais que apóiam o presidente Morales.Outra visão Nos quatro estados mais ricos do país, que representam 43% do Produto Interno Bruto (PIB) da Bolívia, executivos, empresários e profissionais, reunidos nos Comitês Cívicos, pensam diferente. "O Brasil é um parceiro fundamental para a Bolívia, e a Petrobras é uma empresa grande e de prestígio e não deveria estar sendo tratada desta forma pelo governo Morales", disse, por telefone, o vice-presidente do Comitê Pró-Santa Cruz, o médico Jayme Santa Cruz. "É o governo Morales que tem essa conversa de imperialismo e anti-imperialismo (publicamente contra Estados Unidos). Mas esse é um discurso duplo e nós ainda não entendemos onde vai se chegar", afirmou. Na sua opinião, o governo boliviano poderia ter conquistado maiores lucros para o caixa federal nas negociações com a Petrobras, mas está levando a discussão para um terreno "difícil" para as duas partes.Na sexta-feira, os comitês cívicos de oito dos nove departamentos do país reuniram-se em Cochabamba e divulgaram comunicado condenando iniciativas do governo Morales. Mas a principal reclamação do grupo é a forma como a constituinte, instaurada em agosto, vem sendo encaminhada. Na semana passada, eles lideraram protestos contra a administração central. Numa nova reunião, nesta segunda-feira, pretendem definir uma "série de manifestações", como disse Santa Cruz, contra a "interferência" do governo nas discussões da constituinte.

Agencia Estado,

18 de setembro de 2006 | 08h15

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