Brasil é 'eldorado para supermercados', diz jornal francês

Briga entre grupos franceses Carrefour e Casino por parceria com Pão de Açúcar ilustra potencial 'imenso' do país, diz 'Figaro'.

BBC Brasil, BBC

29 de junho de 2011 | 08h02

O Brasil é um "eldorado" para o setor de supermercados, como indica a batalha de dois grandes grupos franceses em torno do brasileiro Pão de Açúcar, afirma nesta quarta-feira uma reportagem do jornal francês "Le Figaro".

"O combate homérico" - nas palavras do jornal - entre os dois gigantes se justifica pelo fato de ambos estarem encontrando dificuldades no seu mercado de origem, "cada vez menos e menos adaptado aos hábitos de consumo nos países de economias maduras", nas palavras de um ex-diretor do Carrefour.

"Em contraste, o hipermercado é o formato é ideal para se beneficiar do crescimento dos países emergentes", disse ele.

O "Figaro" sublinha que "as perspectivas de crescimento no Brasil são imensas".

"O país é o terceiro mercado alimentar do mundo, atrás dos Estados Unidos e da China e à frente da Índia. E até o momento, a distribuição moderna não representa senão metade do mercado", destaca a reportagem.

'Queda-de-braço'

A proposta de fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour, destaca o "Le Monde ", desperta a oposição visceral do grupo Casino, que divide o controle da rede brasileira com o empresário Abílio Diniz, em uma parceria que data de 1997.

O arquirrival francês do Carrefour "não tem intenção de abrir mão" de importante presença no mercado brasileiro e portanto a batalha tem tudo para ser "homérica", destaca o "Monde", ecoando as palavras do "Figaro".

Se for concluída, a complexa operação colocaria os dois rivais na mesma empreitada, e "faria nascer um gigante da distribuição, controlando 31,5% do terceiro mercado mundial em termos de gastos alimentares, com um volume de negócios de US$ 30 bilhões de euros".

O diário econômico "Les Echos" antecipa uma dura "queda de braço". Para o jornal, o empresário Abílio Diniz, dono do grupo Pão de Açúcar, "mais uma vez soube esconder o jogo".

"Depois de negar por muito tempo a existência de negociações com o Carrefour, e ter esboçado uma tentativa de conciliação com Jean-Charles Naouri (presidente do grupo Casino), desta vez ele vai direto ao assunto", diz o jornal.

"O objetivo: entrar no grande jogo, não na cena brasileira, mas internacional", afirma o "Les Echos". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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