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''Brasil é essencial ao nosso crescimento''

O inglês Nicholas Brien, presidente global da rede de agências de marketing e propaganda McCann, presente em 120 países, fala rápido, quase sem pontuação e, assim como vários outros executivos do meio publicitário, anda fascinado pelo Brasil. Conheceu o Rio de Janeiro e lamentou ter ficado por lá menos de 24 horas: "A vista do meu quarto de hotel era deslumbrante". Brien lembra que sempre se festejou o talento criativo do País, mas nunca com o fervor de agora. "Não se trata de Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). Mas apenas de "B" de Brasil", diz, sem pudor de parecer exagerado.

Marili Ribeiro, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

Há mais de duas décadas no negócio da publicidade, Brien assumiu o grupo McCann há menos de um ano. Sua missão é renovar a companhia que já brilhou no atendimento a gigantes como Coca-Cola e GM, mas que perdeu parte de sua projeção nos últimos anos. Brien veio convocar os escritórios brasileiros para a tarefa de pôr a WMcCann do Brasil no panteão das premiações do setor.

O que veio fazer no Brasil?

Reuniões com clientes da WMcCann e conhecer pessoas. Estive com Emerson Fittipaldi, Lulu Santos e Vick Muniz, entre outras figuras fantásticas. Para o grupo McCann atingir patamares ainda mais elevados no reconhecimento da sua qualidade criativa, é fundamental ter o Brasil na linha de frente de nossas estratégias de expansão. Estar presente aqui se tornou essencial para o nosso crescimento como um todo.

Quais os planos para sua companhia no País?

Tenho enormes expectativas para o crescimento da McCann aqui. A ambição é ter a agência WMcCann entre as mais criativas do mundo. Washington Olivetto (que se desfez de sua agência, a W/, e assumiu o posto de "liderança criativa" da McCann na América Latina), que está conosco e é reconhecido como um dos sete líderes mundiais da criação publicitária, vai colaborar para que isso aconteça mais rápido. Olivetto nos ajudará a buscar obsessivamente a excelência dos trabalhos criativos aqui e também fora daqui, atraindo, com sua rede de contatos, talentos para o grupo McCann.

Como se busca "obsessivamente" a criatividade no negócio da comunicação publicitária?

Temos de ser eficientes para nossos clientes globais e locais na mesma medida. O mundo da comunicação se sofisticou e exige soluções que não cabem em fórmulas preconcebidas. Cabe a nós traduzirmos para nossos clientes qual a melhor maneira para atingir resultados de vendas com a comunicação de seus negócios. Não importa com que ferramenta. Temos de ser holísticos e nos tornarmos relevantes nesse novo mundo repleto de conexão eletrônica. As dimensões disso são maiores do que apenas fazer campanhas publicitárias, intervenções em redes sociais ou ações promocionais nos pontos de venda. As soluções de comunicação são mistas, porque o processo de decisão de compra é dinâmico.

Mas a ideia criativa sempre foi a essência desse negócio. O que há de novo nisso?

Hoje a criatividade tem de andar junto com a inovação. E, mais que isso, tem de produzir desempenho. Todos os clientes querem análises minuciosas das propostas para a tomada de decisões. Temos de contar com profissionais capazes de responder a essa demanda. Ninguém ainda entendeu a extensão dos efeitos das mudanças tecnológicas na vida das pessoas. A questão fundamental é como se diferenciar com criatividade. A inovação diz respeito a novas oportunidades para se fazer de forma diferente. A cultura do novo mundo conectado é a cultura da curiosidade e da colaboração. Por isso mesmo, como nunca antes, criatividade, inovação e desempenho são metas prioritárias no grupo McCann.

A ordem é criar soluções de marketing sem qualquer modelo preconcebido?

O desafio é manter a comunicação engajada às expectativas dos consumidores, que estão cada vez mais segmentados. Nós precisamos de uma espécie de "haute couture" (a alta costura francesa feita sob encomenda) na atividade para lidar com essa realidade participativa. A missão do negócio da propaganda é transformar marcas atrativas nessa cultura participativa e segmentada. Para o Brasil, as perspectivas desse novo mundo são ainda mais convidativas. Fala-se muito nos países do Bric. Mas, na verdade, o Brasil é primeiro. É o começo de tudo. Portanto, não se trata de Bric, mas de "B" de Brasil.

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