Brasil e EUA divergem sobre acordo Amorim-Zoellick

O compromisso que permitiu que o Brasil e os EUA chegassem a uma proposta conjunta de declaração para a reunião ministerial da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), nesta semana, está preservado por um esparadrapo. Em entrevistas consecutivas, na tarde desta segunda-feira, negociadores dos dois países deixaram claro que entendem de forma diferente a relação entre benefícios e obrigações num futuro acordo - um ponto crucial do texto acordado há pouco mais de uma semana entre o chanceler Celso Amorim e o representante americano para o comércio exterior, Robert Zoellick.Segundo o esboço da declaração os países poderão assumir compromissos de diversos níveis nos vários itens da negociação. O texto indica também que haverá uma relação entre as vantagens e o grau de compromisso, mas sem especificar se a compensação se dará em cada item ou de forma cruzada. O negociador-chefe do Brasil na Alca, Luiz Felipe Macedo Soares, sustenta que a compensação só pode ocorrer dentro de cada tópico de negociação. Assim, quem assumir compromissos modestos em serviços receberá benefícios proporcionalmente pequenos nessa mesma área. Isso se aplica, também, a concessões de acesso a mercado. O que é inaceitável para o Brasil é que um país que conceda pouco em investimentos receba pouco em acesso a mercado de bens ou qualquer outra área que não seja investimentos. Aceitando esse tipo de punição "o que teríamos em lugar de uma área de livre comércio seria um palco para uma guerra comercial", disse Macedo Soares. O negociador americano, Ross Wilson, havia dito pouco antes que o assunto permanece aberto e será provavelmente decidido pelos ministros dos 34 países da Alca, que devem começar a chegar a Miami nesta terça. Isso mostra que, nem as delegações que dividem a presidência das negociações estão de acordo sobre um item que todos consideram essencial para definir a nova visão da Alca.

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