Brasil e Europa discutem reforma agrícola

Negociadores do Brasil se reúnem amanhã com representantes da União Européia (UE) para tentar entender melhor quais serão as repercussões da reforma agrícola de Bruxelas para as negociações internacionais em que os dois parceiros estão envolvidos, como a da Organização Mundial do Comércio (OMC) e para a criação de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE. Há poucas semanas, a UE anunciou uma reforma em sua política de assistência aos produtores agrícolas, o que supostamente poderia abrir caminho para uma flexibilidade por parte de Bruxelas nas negociações da OMC, que estão ainda bloqueadas. Mas o que ninguém na UE consegue dizer, por enquanto, é como essa reforma será traduzida em uma proposta real de redução dos subsídios que afetam a competitividade das exportações de vários países, inclusive as brasileiras.Na reunião que ocorrerá amanhã em Bruxelas, portanto, o Brasil terá a possibilidade de fazer perguntas sobre quais serão os efeitos da reforma agrícola para o comércio internacional e em que setores o País pode sair ganhando. Para entender as repercussões da reforma, o governo estará representado pelo secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior, Mario Mugnaine, e por assessores do Ministério da Agricultura e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. "Será um encontro técnico", explicou o embaixador do Brasil em Bruxelas, José Alfredo Graça Lima. Segundo ele, a reunião de hoje havia sido agendada durante o encontro que os ministros do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e da Agricultura, Roberto Rodrigues, mantiveram com o Comissário de Agricultura da UE, Franz Fishler, há poucas semanas em Montreal, durante uma conferência da OMC.A troca de informações entre a UE e o Brasil ocorre em um momento crucial nas negociações da OMC. A poucas semanas da Conferência Ministerial de Cancún, onde os países terão de decidir o ritmo da liberalização agrícola, Estados Unidos e UE tentam aproximar suas posições para apresentarem uma proposta conjunta na organização. Rumores em Genebra apontam que esse documento poderia ser distribuído para os demais países durante o fim de semana e, diante desse fato, o encontro entre o Brasil e a UE chega em bom momento para que o governo saiba o que poderá esperar das negociações da OMC.

Agencia Estado,

07 de agosto de 2003 | 13h47

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