Brasil é excluído de pacotes de ajuda

Ascensão ao posto de 6ª maior economia do mundo tira o País de programas especiais de organizações internacionais e governos

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2011 | 03h05

Cobiçado por multinacionais, cortejado por entidades em busca de doações e excluído de benefícios dados por países ricos a economias em desenvolvimento. A transformação do Brasil na sexta maior economia do mundo - segundo ranking do Centro para Pesquisa Econômica e Negócios, de Londres - causou mudanças profundas na situação do País no cenário internacional.

Por um lado, cria novas exigências do governo, além de excluir o País da lista de locais com prioridade para receber ajuda no combate à pobreza. Por outro, empresas e governos estimam que a oportunidade para expandir o comércio e fugir de mercados em depressão é focar as atenções em mercados emergentes, entre eles o do Brasil.

Mas entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e mesmo a ONU admitem que a crise que continuará na Europa em 2012 vai contaminar o crescimento de países como o Brasil.

Em 2012, pela primeira vez na história moderna, metade das importações mundiais serão feitas pelos países emergentes. Há dez anos, essas economias consumiam apenas metade do volume de importações dos países ricos. No próximo ano, vão se igualar. Se a grande força por trás disso é a China, o Brasil também terá sua parcela e, entre as multinacionais, não é mais segredo que o País é uma das prioridades.

Mercado interno. Em cinco anos, os investimentos estrangeiros no Brasil praticamente quadruplicaram, com empresas em busca de acesso ao mercado nacional. Na Nestlé, o País termina o ano como o terceiro maior mercado mundial e a empresa estuda novos investimentos. A Kraft Foods também vai abrir mais uma fábrica no País, desta vez em Pernambuco.

Outro setor de olho no Brasil em 2012 é o farmacêutico. Segundo dados da Federação Internacional da Indústria Farmacêutica obtidos pelo Estado, a taxa de crescimento das vendas de remédios no País é hoje seis vezes superior ao desempenho dos mercados dos países ricos.

No setor automobilístico, estudos chegam a apontar que existe uma corrida entre empresas para garantir fatia do mercado brasileiro e as queixas que o País recebeu na Organização Mundial do Comércio (OMC) por ter criado barreiras dá a dimensão do interesse estrangeiro. "Se não houvesse uma grande cobiça mundial pelo mercado brasileiro, as queixas contra o protecionismo brasileiro não seriam tão fortes", admitiu um negociador coreano.

No setor de energia, o pré-sal mobiliza empresas pelo mundo em busca de contratos. Recentemente, a fábrica da Rolls-Royce no Canadá, bateu GE e Siemens no contrato de mais de US$ 650 milhões para produzir turbinas.

Governos também estão redesenhando as políticas comerciais e colocando o Brasil como prioridade para 2012. Esse é o caso de Mariano Rajoy, novo presidente do governo espanhol, que espera aumentar o comércio com País. Hoje, grupos espanhóis como Santander, BBVA e Telefonica já dependem do mercado brasileiro.

Na China, o governo estabeleceu que o Brasil é um dos principais alvos na estratégia para expansão comercial em 2012. Copa do Mundo, Olimpíada e pré-sal chamam a atenção também de autoridades inglesas e americanas, que montaram missões para abocanhar contratos.

Mas essa nova posição internacional tem seu preço. O primeiro deles é o fim de ajudas e subvenções que o País recebia para lidar com a pobreza e problemas sociais. Há pouco mais de duas semanas, a UE anunciou o fim da ajuda ao desenvolvimento no Brasil, alegando que passaria a direcionar recursos para países mais pobres. No total, mais de US$ 60 milhões deixaram de ser gastos pelos europeus no País em projetos de educação, meio ambiente e redução da pobreza.

Os europeus ainda acabaram com as isenções de tarifas de importação a produtos brasileiros, mecanismo criado nos anos 80 para ajudar as vendas nacionais e, assim, contribuir para o desenvolvimento do País. E os EUA cancelaram tarifas preferenciais que davam ao Brasil, mesma medida adotada pelo Japão.

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