Brasil e França dão impulso às negociações de Doha

As negociações da Rodada de Dohapara a liberalização comercial global ganharam força nestaquarta-feira, com os presidentes do Brasil e da Françaexpressando urgência na realização de um acordo, disseramlíderes mundiais nesta quarta-feira, durante uma reunião decúpula no Japão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos maisentusiasmados quanto às perspectiva da Rodada de Doha durantereunião com líderes de EUA, União Européia, Índia e outrosparticipantes importantes do processo, segundo líderespresentes. Especialistas dizem que a reunião ministerial marcada parao dia 21 em Genebra, na sede da Organização Mundial doComércio, será a última oportunidade de concluir a rodada antesque o processo seja atropelado pelo calendário eleitoralnorte-americano. O Brasil, uma potência agrícola, tem papel-chave nasdiscussões de Doha, representando os interesses dos países emdesenvolvimento. Já o presidente da França, Nicolas Sarkozy, deixou claroque também espera concluir rapidamente o acordo, e para issofez um apelo especial ao Brasil, segundo relato transmitidopelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. Buscando enviar uma mensagem política forte à reuniãoministerial, Brown já havia divulgado uma declaração sobrecomércio conjuntamente com Lula, supostamente sinalizando umapostura mais flexível por parte da América Latina. "A novidade é que o Brasil deixou claro hoje que desejaeste acordo", disse Brown. "O presidente Sarkozy deixou claroque gostaria de ver um rompimento do impasse e fez um apelo aoBrasil", acrescentou ele durante entrevista coletiva da cúpulado G8, no Japão. A França reluta em aceitar reduções nos subsídios agrícolasconcedidos pela União Européia a seus produtores, o que é umdos principais entraves à conclusão do tratado. "Acho que as mensagens transmitidas durante o encontro dospresidentes (dos EUA, George W. Bush e Lula foram muito maisclaras do que antes a respeito da urgência e desejabilidade deum acordo", disse o presidente da Comissão Européia, JoséManuel Durão Barroso, no avião em que deixou Hokkaido. Também no Japão, o chanceler brasileiro, Celso Amorim,disse a jornalistas que é "crucial ir além" na reuniãoministerial da semana que vem em Genebra. Mas a abertura doBrasil para um acordo depende também da abertura dos demaisparticipantes, alertou Amorim. Lula declarou neste mês que a Rodada de Doha poderia serconcluída até o fim de julho, mas na terça-feira um mediador daOMC informou que ainda falta um acordo sobre partes importantesda negociação sobre bens industriais. Uma nova proposta sobre os produtos manufaturados deve serapresentada na quinta-feira. Esse texto, junto com um novoesboço sobre agricultura, servirá de base para a reuniãoministerial na sede da OMC. EUA e UE querem que os grandes países em desenvolvimento,como o Brasil, façam cortes maiores nas suas tarifas deimportação industrial, o que seria uma contrapartida àsreduções de subsídios e tarifas agrícolas nos países ricos. Barroso disse que o sucesso da negociação comercial podeajudar também a desatar um futuro acordo climático global.Durante a cúpula japonesa, o chamado G5 (que reúne economiasemergentes, inclusive o Brasil) discordou da meta sugerida peloG8 (grupo das principais potências industrializadas) sobre ocontrole das emissões de gases do efeito estufa.

WILLIAM SCHOMBERG E DAVID CLARKE, REUTERS

09 de julho de 2008 | 10h26

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