Brasil e França querem fundo internacional para etanol

Brasil e França deverão anunciar na reunião de cúpula do G-8, em São Petersburgo, Rússia, a criação de um Fundo Internacional para a Divulgação da Tecnologia do Etanol em países em desenvolvimento.Integrada à finalidade do governo brasileiro de transformar o produto numa commodity e de promover parcerias para a cooperação nas economias mais pobres, a iniciativa terá o objetivo imediato de agregar valor à produção de cana-de-açúcar de países da África e do Caribe e de reduzir a dependência dessas nações do petróleo.A base para a criação desse fundo foi definida na Declaração sobre Biocombustível, documento mais amplo na área energética assinado nesta quinta-feira pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Jacques Chirac.Apesar das controvérsias entre os dois países na OMC - tanto na Rodada Doha como no contencioso sobre açúcar, vencido pelo Brasil - o acerto sobre a criação do fundo somou-se a uma série de iniciativas internacionais.A França foi um dos primeiros países a apoiar a ambição do governo brasileiro de elevar o País à condição de membro permanente do Conselho de Segurança, no âmbito da reforma da Organização das Nações Unidas (ONU). Esse apoio, segundo Chirac, continua válido.BiotecnologiaEm seu dia em Brasília, Chirac passou pelo Congresso Nacional e defendeu o aprofundamento das relações entre o seu país e o Brasil para as áreas de biotecnologia e industrial, especialmente no que diz respeito a pesquisas espaciais e investimentos em fontes de energia não poluentes. "O progresso deve ser alcançado com base na ética e na razão", ponderou.Na visita ao parlamento brasileiro, ele disse considerar um "imperativo" a luta pela preservação dos recursos naturais e também defendeu que os dois países unam esforços nesse sentido. Na avaliação de Chirac, "o mundo de excelência" que França e Brasil buscam passa pela construção de novas alianças. "Nenhum país enfrentará esse desafio sozinho".Na linha do discurso do Chefe de Estado francês, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ressaltou que o setor energético brasileiro passa por um momento de "excelentes oportunidades para novos investimentos franceses no Brasil".E destacou que a criação de um marco regulatório e a possibilidade de realização de parcerias público-privadas reforçam essa tendência. "É importante lembrar que o potencial do Brasil como destino de investimentos internacionais vai além de nossas fronteiras".

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