Brasil e Índia sinalizam aliança política e econômica

Brasil e Índia acertam uma vasta agenda de projetos conjuntos que, se concluídos, poderão levar os dois países à criação de uma aliança política, econômica e social de peso. Após dois dias de reuniões com autoridades e empresas em Nova Déli, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse à Agência Estado, por telefone, que as propostas começam a se concretizar.O primeiro resultado da visita de Amorim à Índia foi simbólico: ficou acertado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá à Índia em 2004 e será o "convidado de honra" do governo para o dia nacional do país, 26 de janeiro. Durante a visita presidencial, existe a possibilidade de que os dois governos anunciem seu apoio mútuo por uma ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e, claro, que conte com a participação permanente do Brasil e da Índia.Segundo Amorim, o primeiro encontro da Comissão Brasil-Índia, ocorrido nos últimos dias, estabeleceu que setores como o aeroespacial, tecnológicos e de pesquisa agropecuária devem também estabelecer uma agenda de cooperação. No setor social, o governo brasileiro está interessado especialmente nos programas de micro-crédito implementados por Nova Déli. Já os indianos aproveitaram a passagem de Amorim pelo país para questionar sobre o funcionamento do programa federal Fome Zero, para, talvez, implementá-lo na Índia.O setor econômico é o que possuiu hoje maior potencial para aprimorar as relações entre os dois países, na avaliação de Amorim. "Hoje, nosso comércio bilateral já chega a US$ 1,3 bilhão por ano e temos a possibilidade de que esse volume sofra um aumento significativo nos próximos anos", afirma o chanceler. Segundo ele, empresas como a Embraer e a Vale do Rio Doce fizeram parte da comitiva brasileira que foi à Índia e que "bons negócios" poderiam estar sendo construídos para o futuro.

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