Brasil é menos afetado pela crise externa, diz Mantega

Para ministro da Fazenda, isso ocorre porque o País depende menos dos mercados externos em relação a outras regiões emergentes 

Anne Warth e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

30 de agosto de 2012 | 11h49

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira que, apesar dos problemas externos, o Brasil ainda é um dos países menos afetados pela crise, pois depende menos dos mercados externos comparativamente aa outros países emergentes. "A economia brasileira começa a se aquecer, e uma aceleração gradual pode ser vista no crescimento do PIB trimestral", afirmou.

O ministro reiterou que o País chegará ao fim deste ano com crescimento anualizado de 4%. "Será um bom desempenho, que se deve às medidas que temos tomado", disse. Mantega citou a taxa básica de juros, que foi reduzida para 7,5% ao ano na reunião de quarta-feira do Conselho de Política Monetária (Copom). "É um patamar histórico", afirmou. "Hoje estamos com juros 5 pontos porcentuais abaixo do que estávamos há um ano", disse. "Os juros reais estão vindo para baixo de 2%, como a presidente pediu."

Segundo o ministro, trata-se de uma mudança estrutural profunda na economia brasileira e que vai privilegiar a produção, em detrimento das aplicações financeiras. "Isso significa que a dívida pública vai decrescer e o mercado corporativo vai crescer."

Mantega disse ainda que os spreads estão caindo, mas que a taxa de juros dos bancos brasileiros ainda não é adequada. "Infelizmente, não chegamos no patamar de spreads adequado à economia brasileira, mas a boa notícia é que temos lastro para gastar. Podemos reduzir o spread causando efeitos positivos", afirmou.

O ministro destacou o papel dos bancos públicos, que têm liderado o processo de liberação de crédito e de redução dos juros. "Esperamos que os bancos privados sigam essa trajetória." Mantega participa da 39ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o chamado Conselhão, nesta quinta-feira, em Brasília.

Dinamismo

Mantega também afirmou que o mercado interno brasileiro não perdeu o dinamismo, mesmo na crise internacional. Segundo ele, enquanto as taxas de desemprego batem recordes nos Estados Unidos e na União Europeia, o Brasil gera mais de um milhão de empregos por ano.

"A massa salarial continua crescendo mais que 5% ao ano, fortalecendo o mercado interno", afirmou. "Nenhum outro lugar tem um crescimento de quase 6% no mercado interno neste ano."

O ministro disse que o País está entre os maiores mercados consumidores do mundo em diversos segmentos de produtos e serviços. "Isso se deve aos programas sociais e ao aumento do emprego e da renda", afirmou. "Ao contrário de outros países, o Brasil está distribuindo renda, e não concentrando."

Mantega afirmou que a Classe C vai continuar a se expandir no País. "Há confiança no Brasil e isso pode ser medido pelo crescimento do Investimento Estrangeiro Direto (IED) nos últimos 12 meses. "Os investidores confiam na trajetória, solidez e segurança da economia brasileira."

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