'Brasil é minha chance de recomeçar', diz chef palestino

'Brasil é minha chance de recomeçar', diz chef palestino

Refugiado que vive no Brasil há quatro anos montou lanchonete de comida árabe em São Paulo e ajuda a família na Síria

Douglas Gavras , O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2017 | 05h00

O palestino Mazen Zwawe, de 29 anos, envia todos os meses US$ 100 aos pais, que moram na Síria. Foi também com US$ 100 no bolso que ele chegou ao Brasil, há quase quatro anos, como refugiado. 

“A minha família é palestina, mas meus avós se mudaram para a Síria, porque era mais seguro na época. Lá, trabalhei em hotéis e tive um restaurante por três anos, até ser bombardeado.” 

Quando veio para o Brasil, ele juntou o que ganhou vendendo água mineral em semáforos em São Paulo para montar uma barraca de comida árabe. “No começo, foi bem difícil. Não tinha nenhum conhecido e tive de começar do zero. A vontade de fazer a minha vida aqui dar certo era tanta, que aprendi português sozinho. Logo depois, veio a crise, mas não me arrependo de ter vindo.”

O dinheiro que ele envia para a família na Síria é uma parte do que sobra das vendas do estande que montou este ano, no Armazém da Cidade, na Vila Madalena. Ele também faz pratos sob encomenda, para festas, e planeja abrir um restaurante em São Paulo, para poder trazer os pais para o Brasil. "O Brasil era minha chance de recomeçar. E da minha família também. O dinheiro que eu mando para os meus pais é pouco, mas os ajuda a sobreviver.” 

Ele conta que, mesmo sem nunca ter ouvido falar no Brasil, escolheu o País porque lhe disseram que seus futuros filhos não seriam tratados como refugiados aqui. 

“Muitos dos meus amigos palestinos e sírios foram tentar a vida na Europa, onde o governo oferece emprego e moradia, mas eles sempre são tratados como estrangeiros. No Brasil, por mais que as coisas agora estejam mais difíceis, sempre se dá um jeito. Daqui, só me mudaria para a minha terra.”

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