Brasil é notificado pela UE sobre retenção de carne

O Ministério da Agricultura informou hoje que foi notificado pela Direção Geral de Saúde e Consumidores da Comissão Europeia (DGSanco) sobre a retenção de um lote de 20 toneladas de carne processada com quantidade de vermífugo acima do limite aceito pelo bloco europeu. O produto tem origem em um frigorífico de Lins (interior de SP), segundo o ministério, que não identifica a empresa. Fontes afirmam que se trata da unidade de Bertin, atualmente incorporada ao grupo JBS.

CÉLIA FROUFE E SUZANA INHESTA, Agencia Estado

16 de setembro de 2010 | 18h42

O JBS, por sua vez, apresentou problema semelhante com os Estados Unidos, em maio último. Desde então, toda a carne cozida vendida para o país está suspensa. Segundo previsão feita hoje pelo JBS, as exportações devem ser retomadas a partir de outubro. O ministério não indicou a expectativa da volta das vendas, pois quer aguardar a sinalização a ser dada pela missão norte-americana, que está no Brasil desde o início deste mês para inspecionar os frigoríficos. As visitas estão previstas para se estenderem até a quarta-feira da semana que vem.

O Ministério da Agricultura, segundo a assessoria, conseguiu um comprometimento das principais empresas exportadoras de passarem a adotar os trâmites já acertados para retomar as vendas aos Estados Unidos com os países da União Europeia. Ontem mesmo, o Ministério repassou a notificação à empresa e abriu um processo de investigação. A alegação do frigorífico, segundo o Ministério, é a de que a carne embargada pelo bloco foi produzida em junho, portanto antes do plano de ação adotado pelas empresas que querem voltar a vender para os Estados Unidos, em conjunto com o Ministério.

O plano de ação teve início na segunda quinzena daquele mês e conta com itens como conscientização de pecuaristas sobre o prazo de carência entre a aplicação do vermífugo e o abate do animal e maior rigor nas análises. Antes do problema com os Estados Unidos, o Brasil fazia parte da lista automática de venda para aquele país. Assim, tendo o aval do Ministério da Agricultura brasileiro, o produto tinha livre entrada nos Estados Unidos.

Por conta da alegação do frigorífico em relação à data, a assessoria informou que a Pasta não trata do caso como "mais um" episódio sobre o problema. O ministério avalia o tema como um problema pontual e descarta a análise de que se trata de um risco sistêmico. Por enquanto, não há intenção de suspender as exportações dessa ou de qualquer outra planta para a Europa, assim como foi feito, inicialmente por iniciativa do governo brasileiro, mas que agora depende da aprovação americana, no caso dos Estados Unidos.

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