Brasil é o 12º em ranking de desempenho econômico, diz Fiesp

Estudo analisa 21 variáveis conjunturais e compara o desempenho de indicadores no 1o trimestre deste ano

Anne Warth, da Agência Estado,

24 de setembro de 2009 | 16h31

A resistência da economia brasileira aos efeitos da crise financeira global foi uma das maiores em um ranking de 43 países organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo o estudo, o Brasil ficou em 12.º lugar, à frente de economias mais desenvolvidas, como Reino Unido, Estados Unidos, França e Alemanha, e também de países emergentes, como Chile, Argentina, México e Rússia.

 

O ranking analisou 21 variáveis conjunturais e comparou o desempenho de indicadores como nível de atividade e mercado de trabalho no primeiro trimestre deste ano, período de recessão, com os três primeiros meses de 2008. "O Brasil fez um bom trabalho", analisou o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho.

 

Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos 43 países do ranking recuou em média 1,6% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, o índice aumentou 0,3% no Brasil. A parcela do crédito para o setor privado na composição do PIB diminuiu 4,6 ponto porcentuais na média dos 43 países. Já no Brasil ele aumentou 6,5 pontos porcentuais. O investimento estrangeiro direto em relação ao PIB caiu 2,5 pontos porcentuais na média dos países, mas no Brasil ele teve queda menor, de 0,2 ponto.

 

O desemprego aumentou 23,1% na média dos países, mas cresceu bem menos no Brasil (1,7%). A carga tributária em relação ao PIB diminuiu 1,2 ponto porcentual na média dos países e caiu ainda mais no Brasil (2,9 pontos). A dívida pública, em relação ao PIB, aumentou 3,5 ponto porcentuais na média dos países, mas apenas 0,3 ponto no caso brasileiro.

 

De zero a cem, o Brasil recebeu nota 48 e foi enquadrado no grupo dos países de resistência de média a alta. O ranking foi liderado pela China, que apresentou a mais alta resistência e nota 100. A Rússia foi a última do ranking dos 43 países e teve nota 0. Segundo Roriz, os principais destaques positivos no Brasil para o combate à crise foram a redução do compulsório e da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 8,75% ao ano.

 

Além disso, ele ressaltou que o Brasil acertou ao reduzir a carga tributária para o consumo, em especial materiais de construção, eletrodomésticos e automóveis, ao dar início a projetos de infraestrutura nas áreas de energia, habitação e transporte e ao ampliar os recursos e linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), associados à redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para 6% ao ano.

 

Por outro lado, Roriz afirmou que o Brasil poderia ter conseguido uma posição melhor no ranking caso o desempenho de alguns indicadores não tivesse sido tão ruim. No caso do spread, por exemplo, enquanto na média dos 43 países os spreads bancários aumentaram 0,3 ponto porcentual, no Brasil eles cresceram 3,9 pontos. Resultado superado apenas pelo da Argentina, onde os spreads subiram 5,6 pontos porcentuais.

 

A participação da poupança doméstica no PIB recuou em média 2,9 ponto porcentuais nos 43 países, mas caiu 5 pontos no Brasil. Os investimentos, medidos pela participação na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no PIB, diminuíram 0,7 ponto porcentual na média dos países, mas tiveram queda de 1,8 ponto no Brasil. "É um resultado muito ruim", avaliou Roriz. "O consumo garante os empregos de hoje e os investimentos, empregos de amanhã. Nesse sentido, estamos muito mal", completou.

 

Em outros indicadores, o Brasil apresentou números muito próximos da média. O mercado acionário, por exemplo, recuou 38,5% na média dos países e 35,6% no Brasil. As reservas internacionais aumentaram 28,5% na média e 20,1% no Brasil. A participação das exportações no PIB variou 0,04 ponto porcentual na média e 0,2 ponto no Brasil. A produção industrial caiu 12,8% entre os países pesquisados. No Brasil, o recuo foi de 13,1%.

 

Entre os destaques negativos, segundo Roriz, o Brasil tem demorado para executar os recursos vinculados aos investimentos em infraestrutura, principalmente quanto ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e o crédito ao setor privado industrial ainda é escasso, bem como o acesso para as micro e pequenas empresas é difícil.

 

Resistência na crise

 

A resistência da economia brasileira aos efeitos da crise financeira global foi uma das maiores em um ranking de 43 países organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo o estudo, o Brasil ficou em 12.º lugar, à frente de economias mais desenvolvidas, como Reino Unido, Estados Unidos, França e Alemanha, e também de países emergentes, como Chile, Argentina, México e Rússia.

 

O ranking analisou 21 variáveis conjunturais e comparou o desempenho de indicadores como nível de atividade e mercado de trabalho no primeiro trimestre deste ano, período de recessão, com os três primeiros meses de 2008. "O Brasil fez um bom trabalho", analisou o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho.

 

Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos 43 países do ranking recuou em média 1,6% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, o índice aumentou 0,3% no Brasil. A parcela do crédito para o setor privado na composição do PIB diminuiu 4,6 ponto porcentuais na média dos 43 países. Já no Brasil ele aumentou 6,5 pontos porcentuais. O investimento estrangeiro direto em relação ao PIB caiu 2,5 pontos porcentuais na média dos países, mas no Brasil ele teve queda menor, de 0,2 ponto.

 

O desemprego aumentou 23,1% na média dos países, mas cresceu bem menos no Brasil (1,7%). A carga tributária em relação ao PIB diminuiu 1,2 ponto porcentual na média dos países e caiu ainda mais no Brasil (2,9 pontos). A dívida pública, em relação ao PIB, aumentou 3,5 ponto porcentuais na média dos países, mas apenas 0,3 ponto no caso brasileiro.

 

De zero a cem, o Brasil recebeu nota 48 e foi enquadrado no grupo dos países de resistência de média a alta. O ranking foi liderado pela China, que apresentou a mais alta resistência e nota 100. A Rússia foi a última do ranking dos 43 países e teve nota 0. Segundo Roriz, os principais destaques positivos no Brasil para o combate à crise foram a redução do compulsório e da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 8,75% ao ano.

 

Além disso, ele ressaltou que o Brasil acertou ao reduzir a carga tributária para o consumo, em especial materiais de construção, eletrodomésticos e automóveis, ao dar início a projetos de infraestrutura nas áreas de energia, habitação e transporte e ao ampliar os recursos e linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), associados à redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para 6% ao ano.

 

Por outro lado, Roriz afirmou que o Brasil poderia ter conseguido uma posição melhor no ranking caso o desempenho de alguns indicadores não tivesse sido tão ruim. No caso do spread, por exemplo, enquanto na média dos 43 países os spreads bancários aumentaram 0,3 ponto porcentual, no Brasil eles cresceram 3,9 pontos. Resultado superado apenas pelo da Argentina, onde os spreads subiram 5,6 pontos porcentuais.

 

A participação da poupança doméstica no PIB recuou em média 2,9 ponto porcentuais nos 43 países, mas caiu 5 pontos no Brasil. Os investimentos, medidos pela participação na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no PIB, diminuíram 0,7 ponto porcentual na média dos países, mas tiveram queda de 1,8 ponto no Brasil. "É um resultado muito ruim", avaliou Roriz. "O consumo garante os empregos de hoje e os investimentos, empregos de amanhã. Nesse sentido, estamos muito mal", completou.

 

Em outros indicadores, o Brasil apresentou números muito próximos da média. O mercado acionário, por exemplo, recuou 38,5% na média dos países e 35,6% no Brasil. As reservas internacionais aumentaram 28,5% na média e 20,1% no Brasil. A participação das exportações no PIB variou 0,04 ponto porcentual na média e 0,2 ponto no Brasil. A produção industrial caiu 12,8% entre os países pesquisados. No Brasil, o recuo foi de 13,1%.

 

Entre os destaques negativos, segundo Roriz, o Brasil tem demorado para executar os recursos vinculados aos investimentos em infraestrutura, principalmente quanto ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e o crédito ao setor privado industrial ainda é escasso, bem como o acesso para as micro e pequenas empresas é difícil.

 

Competitividade

 

A Fiesp divulgou também o Índice de Competitividade (IC-Fiesp) das nações pesquisadas. O indicador é calculado desde 1997 e compara 83 variáveis econômicas e sociais de 43 países que representam quase 90% do PIB mundial. Nesse ranking, o Brasil ficou em 37.º lugar, com um nível de competitividade avaliado como baixo, à frente apenas da África do Sul, Colômbia, Filipinas, Turquia, Índia e Indonésia. De zero a cem, o Brasil recebeu nota 23,7. O líder de competitividade são os Estados Unidos, com 89,8. A Indonésia está na última colocação, com nota 11,3.

 

O Brasil subiu uma posição em relação ao ranking do ano anterior, e os itens que mais evoluíram no período foram os investimentos, os juros para depósito e a produtividade da indústria. Embora ainda esteja em uma colocação baixa no ranking, desde 1997 a competitividade do Brasil subiu 30,2% e vem crescendo de forma consistente desde 2005.

 

Roriz explicou que o comportamento do Brasil na crise foi melhor do que os outros países. Em relação à competitividade, no entanto, o País fica abaixo do esperado. "Uma coisa é a percepção de que os agentes da economia tem quanto ao potencial do Brasil, outra é a infraestrutura que temos para suportar esse crescimento", afirmou Roriz.

 

Ainda segundo o diretor, o Brasil é um dos países com maior potencial na área de energia, possui um papel de destaque na área de commodities e é bem visto pelos investidores estrangeiros para receber recursos destinados à infraestrutura. "O índice de competitividade não fala do futuro, representa a situação atual. Muito provavelmente, nos próximos anos, em 2015, por exemplo, teremos uma infraestrutura muito melhor e uma colocação no ranking também mais alta", explicou.

 

A Fiesp divulgou também o Índice de Competitividade (IC-Fiesp) das nações pesquisadas. O indicador é calculado desde 1997 e compara 83 variáveis econômicas e sociais de 43 países que representam quase 90% do PIB mundial. Nesse ranking, o Brasil ficou em 37.º lugar, com um nível de competitividade avaliado como baixo, à frente apenas da África do Sul, Colômbia, Filipinas, Turquia, Índia e Indonésia. De zero a cem, o Brasil recebeu nota 23,7. O líder de competitividade são os Estados Unidos, com 89,8. A Indonésia está na última colocação, com nota 11,3.

 

O Brasil subiu uma posição em relação ao ranking do ano anterior, e os itens que mais evoluíram no período foram os investimentos, os juros para depósito e a produtividade da indústria. Embora ainda esteja em uma colocação baixa no ranking, desde 1997 a competitividade do Brasil subiu 30,2% e vem crescendo de forma consistente desde 2005.

 

Roriz explicou que o comportamento do Brasil na crise foi melhor do que os outros países. Em relação à competitividade, no entanto, o País fica abaixo do esperado. "Uma coisa é a percepção de que os agentes da economia tem quanto ao potencial do Brasil, outra é a infraestrutura que temos para suportar esse crescimento", afirmou Roriz.

 

Ainda segundo o diretor, o Brasil é um dos países com maior potencial na área de energia, possui um papel de destaque na área de commodities e é bem visto pelos investidores estrangeiros para receber recursos destinados à infraestrutura. "O índice de competitividade não fala do futuro, representa a situação atual. Muito provavelmente, nos próximos anos, em 2015, por exemplo, teremos uma infraestrutura muito melhor e uma colocação no ranking também mais alta", explicou.

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