Brasil é o 3º do mundo em incubadoras de empresas

A busca pela sobrevivência em uma economia marcada pela instabilidade, pacotes econômicos de "última hora" e carga tributária incompatível ao bolso dos pequenos empreendedores fez do Brasil o terceiro maior país do mundo em quantidade de incubadoras de empresas, atrás de Estados Unidos e Coréia do Sul. Para vingarem no turbulento mercado nacional, novos negócios, sobretudo os de base tecnológica, buscam cada vez mais o auxílio dessas "parteiras" e recorrem aos benefícios por elas concedidos ? a idéia parece tão atraente que, no último ano, o número de incubadoras brasileiras saltou de 150 para 234 em decorrência do aumento na procura por esse tipo de serviço. "As empresas descobriram que para competir é preciso agregar", afirma o presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (Anprotec), Luís Afonso Bermúdez. No momento, de acordo com a 5ª edição do Panorama das Incubadoras de Empresas no Brasil divulgada pela entidade, há 1.731 empresas sendo geradas. "Cria-se um ambiente propício ao desenvolvimento de novos negócios, além de os recursos serem aplicados na geração de renda e empregos", ressalta Bermúdez. O mais forte indício de que as incubadoras tornaram-se necessárias para o desenvolvimento dos novos negócios e obtiveram êxito em sua tarefa é o índice de mortalidade das empresas incubadas, em comparação à taxa de sobrevivência dos empreendimentos que não passam pelo mesmo período de gestação. De acordo com a Anprotec, 75% dos negócios cujo embrião passou por uma incubadora sobrevivem no mercado. No outro caso, apenas 25% continuam disputando um lugar ao sol. "Esse número apenas revela o óbvio: que as incubadoras realmente ajudam as empresas a se solidificarem e a se consolidarem no mercado", diz o presidente. O levantamento da Anprotec, realizado desde 1996, considera empresas incubadas aquelas que utilizam infra-estrutura e serviços da incubadora, incluindo espaço físico por tempo limitado. "Quando começamos a medição, em 1996, o número de incubadoras era 38", conta Bermúdez. "E há 14 anos, eram apenas 2". No ano passado, 34% das incubadoras geraram até quatro empresas graduadas (que passaram pelo período de incubação) que permaneceram no mercado, entre as quais pelo menos uma com estimativa de faturamento anual de R$ 180 mil. Em 17% dos casos, a perspectiva de receita foi superior, chegando a R$ 360 mil.Somente em 2002, foram investidos diretamente nas incubadoras R$ 14 milhões e outros R$ 12 milhões em parques tecnológicos, que auxiliam o trabalho das entidades. Tais recursos, segundo a Anprotec, são provenientes de empresas privadas, institutos de pesquisa, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), (CNPq), prefeituras e universidades. No mesmo período, as empresas incubadas geraram, segundo o Sebrae, 15 mil postos de trabalho.Centros de ensinoAlém do cenário econômico desfavorável aos micro e pequenos negócios, a existência de centros de ensino qualificados também funciona como incentivo à constituição de incubadoras. No Brasil, predominam aquelas de fomento a empresas de base tecnológica ? 57% do total de incubadoras. "Isso ocorre porque os centros de ensino estão muito interessados em desenvolver pesquisas tecnológicas", explica Bermúdez. "Então empresas de software e biotecnologia, por exemplo, são o grande atrativo". Tanto que, segundo o levantamento, 87% do total de incubadoras em atividade no País está vinculado a universidades ou centro de pesquisas ? 49% do total está localizado a até um quilômetro da instituição. "Deve-se levar em consideração também que as políticas de desenvolvimento do governo têm privilegiado muito o setor tecnológico", pondera o presidente. "Basta verificar a constituição dos inúmeros fundos setoriais e programas específicos para o setor". O levantamento da Anprotec aponta ainda que 29% das incubadoras brasileiras são destinadas a empresas de setores tradicionais (nos Estados Unidos, por exemplo, esse índice é de 50%) e outros 14%, mistos. "A crescente procura por inovação tecnológica demonstra que esse é o principal fator de competitividade hoje em dia", analisa. O tempo de permanência na incubadora, segundo Bermúdez, é de três anos. EmpreendedorismoApesar da geração de emprego e garantia de renda, há sim algo de filantrópico nas incubadoras. Segundo o levantamento da Anprotec, os principais objetivos das entidades são incentivar o empreendedorismo, para 88% delas, seguido pelo interesse no desenvolvimento econômico regional (72%) e desenvolvimento tecnológico (70%). O lucro, segundo o levantamento, é o objetivo menos visado pelas incubadoras: apenas 32% delas estariam ?de olho nas verdinhas?. O sistema de incubação de empresas nasceu nos Estados Unidos, em meados de 1985. Desde então, os norte-americanos constituíram mais de 700 incubadoras, número que cresce no ritmo de 20% ao ano. Na Europa, até o final do ano, serão 900 os empreendimentos deste tipo em funcionamento. Já no Brasil, um dos mais importantes centros incubadores é o Cietec, criado em abril de 1998 por meio de convênio entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Sebrae e Universidade de São Paulo (USP).Leia mais sobre o setor de Tecnologia da Informação no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

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