Brasil é o 3º país com maior crescimento de milionários

Número de pessoas subiu de 120 mil em 2006 para 143 mil, uma expansão de 19,16%

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

24 de junho de 2008 | 13h07

O Brasil foi o terceiro país do mundo que registrou o maior crescimento do número de pessoas que possuem patrimônio de pelo menos US$ 1 milhão em 2007. O número de pessoas que possuem grandes fortunas no País subiu de 120 mil em 2006 para 143 mil, uma expansão de 19,16%. Este é o resultado do "12º Relatório Anual sobre a Riqueza Mundial" realizado pela Merrill Lynch e CapGemini. De acordo com o estudo, as condições do Brasil foram impulsionadas pela expansão da economia de 5,4%, aumento dos investimentos das empresas, incremento do mercado de capitais e o fortalecimento da produção agrícola. "Os fluxos líquidos de capital privado duplicaram para a América Latina em 2007, contribuindo para o fato de a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ter alcançado a quarta posição no ranking entre os maiores mercados mundiais para operações de abertura de capital (IPO's). Isto, de acordo com o relatório, deu suporte para o estabelecimento e integração global do sistema financeiro brasileiro", informaram as duas instituições responsáveis pelo estudo através de um comunicado. O estudo destaca ainda que o desenvolvimento de obras em infra-estrutura e incentivos do governo brasileiro para o setor de construção civil, como a queda de impostos sobre materiais de construção, geraram um "boom" do segmento no País. Além disso, a Merrill Lynch e CapGemini ressaltam que também colaboraram a redução do desemprego e a valorização do câmbio, que reduziu os custos de importações de máquinas e bens de consumo. Os juros elevados também foi um fator atraente para o aumento dos investimentos, especialmente em aplicações de renda fixa. Setor agrícola As receitas externas obtidas com as exportações ajudaram a melhorar os fundamentos macroeconômicos do Brasil, pois gerou superávits comerciais que contribuíram para o avanço das reservas cambiais, que estão em US$ 198,86 bilhões. O avanço das vendas externas, ressalta o relatório, foi propiciado especialmente pela crescente demanda de nações asiáticas por produtos nacionais, entre eles commodities alimentícias e metálicas. "Com o bom desenvolvimento dos setores agrícola, de mineração, manufaturados e serviços, o Brasil, que é um dos maiores exportadores de matérias-primas e outras commodities, está colhendo os benefícios obtidos de fortes elevações dos preços de alimentos e de energia registrados no ano passado", apontou o estudo. Mercado de capitais O trabalho produzido pela Merrill Lynch e CapGemini apontou que 64 companhias abriram capital na Bovespa em 2007, número superior às 24 companhias que passaram a vender ações naquela bolsa de valores. Do total de recursos apurados pelos IPO's no ano passado, 70% foram obtidos junto a investidores internacionais. O documento destaca que o Ibovespa atingiu recordes históricos sete vezes no último trimestre do ano passado e subiu 73,4% em dólares em 2007. De acordo com a chefe global de negócios da áreas de gestão de fortunas da Merrill Lynch na América Latina, Darcie Burk, o relatório mostra que o continente está exibindo uma das maiores taxas mundiais de crescimento de riquezas. Segundo as duas instituições, o relatório analisou 71 países que são responsáveis por 98% renda bruta doméstica apurada em todo o globo e 99% da capitalização de mercado de ações registrada em todo o planeta.

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