coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Brasil é o 5º melhor para investimentos de multinacionais

Lista da ONU coloca o País como um dos principais destinos de capital estrangeiro nos próximos três anos

Jamil Chade, do Estado,

04 de outubro de 2007 | 08h29

Apostando no crescimento do mercado brasileiro, as multinacionais destacam o Brasil como o quinto destino preferido de investimentos no mundo nos próximos três anos. Em um estudo com empresas dos países ricos e emergentes, a ONU aponta a China, Índia, Estados Unidos e Rússia como os principais destinos de recursos nos próximos anos. O Brasil é considerado mais atrativo que Reino Unido, México, Alemanha, Japão e França. Veja também: Íntegra do relatório da Unctad (em inglês)   "A busca por acesso ao mercado brasileiro e as possibilidade de crescimento nesse mercado são os principais motivos que estão atraindo essas empresas", afirmou Jean François Outreville, economista da Conferência da ONU para o Desenvolvimento e Comércio (Unctad). Para as Nações Unidas, os investimentos devem sofrer uma alta nos próximos três anos no mundo. Das quase 200 empresas multinacionais entrevistadas na pesquisa, 22% indicaram o Brasil como um dos locais preferidos para investimentos. Para 13% deles (cerca de 20 empresas), o País seria o principal destino até 2009.  A Unctad já vinha colocando o Brasil entre os dez principais destinos de investimentos nos últimos anos. Mas os economistas alertam que os rankings anteriores não devam ser comparados ao atual. "A metodologia e base de cálculo são totalmente diferentes ", explicou Outrville. Segundo o atual levantamento, o motivo principal do interesse pelo Brasil é a perspectiva de crescimento do mercado interno. Esse foi a razão citada por 29% dos entrevistados. O argumento é o mesmo usado para explicar o interesse pela China e Índia. Hoje, 75% do PIB mundial está nos países ricos, mas a ONU interpreta a preferência das empresas pelos países emergentes como um sinal de que os executivos apostam nesse grupo de economias para o futuro. Além disso, 24% dos entrevistados apontaram que o principal motivo dos investimentos no Brasil é o tamanho do mercado local. Enquanto 10% afirmaram que estaria em busca de mão de obra qualificada e 8% destacaram que o motivo seria ter acesso aos mercados sul-americanos. Apenas 7% alegaram que os investimentos no Brasil ocorrem para que tenham acesso aos recursos naturais e 5% destacaram que a razão são os incentivos dados pelo governo.  Outros 3% apontaram para o ambiente estável e praticamente ninguém estaria vindo ao Brasil para ter maior acesso à capital. E ainda: 65% afirmaram que pretendem entrar no Brasil com instalação de empresa, e não apenas aquisição de companhias locais. América Latina No geral, porém, a América Latina não aparece como um dos principais destinos de investimentos nos próximos três anos. Menos da metade dos executivos entrevistados afirmou que irá aumentar suas atividades na região.  Apenas o Oriente Médio e a África tiveram desempenhos mais fracos. Segundo dados da ALADI (Associação Latino Americana de Integração) obtidos pelo Estado, o continente precisaria de US$ 80 bilhões por ano em investimentos para construir a infra-estrutura necessária para gerar desenvolvimento. Entre as regiões, a preferência dos executivos pela Ásia é cada vez maior. O continente foi considerado como o mais atrativo para 65% dos entrevistados. Os Estados Unidos e Europa seguem atraindo empresas, mas principalmente do setor de alta tecnologia, como farmacêuticos e software. Brics  O levantamento também confirma o interesse das multinacionais pelos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) que ocupam quatro das cinco primeiras posições. A liderança da China, porém, é ampla e o Brasil é apenas o último entre os quatro países do bloco. Praticamente todas as empresas questionadas sobre o destino de recursos nos próximos três anos destacam o mercado chinês como o local preferido. 52% delas apontam a China como o melhor destino para os investimentos. Para a ONU, tanto a China como a Índia contam com três dos principais fatores para atrair investimentos: amplo mercado consumidor, baixo custo e tecnologia. O levantamento, porém, não deixa de destacar que os dois países ainda sofrem com um ambiente de investimentos pouco estável, com a ineficiência do governo, falta de acesso à capital e falta de proteção à propriedade intelectual. O relatório ainda destaca a situação do Vietnã, que ocupa uma posição muito próxima a do Brasil. 12% dos entrevistados consideram o país como o local mais atrativo para investimentos no mundo. Riscos Apesar da análise positiva, a ONU alerta que os riscos ainda existem. O mais preocupante entre as empresas é a instabilidade política e financeira, além de uma desaceleração da economia. Corrupção e taxa de câmbio também foram citados por empresas como temores. A mudança nos regimes de investimentos e protecionismo por parte de alguns governos, como na América Latina, também são fatores de preocupação para 80% dos entrevistados. Em vários locais, uma reação contra compras de empresas nacionais ou a decisão de nacionalizar os recursos naturais, como na Bolívia e Venezuela, estariam mandando " sinais negativos " para os investidores. O protecionismo, porém, não ocorre apenas nesses países. Nas economias ricas, uma reação contra a aquisição de empresas locais por estrangeiras ganha força e governos temem que o desemprego aumente. Alta Para a ONU, ainda assim, a conclusão do levantamento é de que haverá um aumento dos investimentos nos próximos anos no mundo. 69% das respostas indicaram que as empresas tem planos de aumentar seus investimentos nos próximos três anos. Em 2000, os investimentos no mundo atingiram a marca recorde de US$ 1,4 trilhão. Mas esse volume sofreu uma dura queda até 2003, quando começou a se recuperar. Em 2006, o valor já atingiu US$ 1,3 trilhão. A alta até 2009 ocorreria graças à manutenção do crescimento do PIB mundial e da disponibilidade de recursos para empréstimos. O problema é que o levantamento foi feito antes da turbulência nos mercados nas últimas semanas. Por isso, o relatório ainda traz números que mostram que a economia mundial cresceria em 7,5% em 2007 e 7,1% em 2008, segundo o FMI. Mesmo assim, a ONU aposta em uma alta nos investimentos graças à boa situação nas empresas diante do crescimento dos últimos anos. O lucros das 500 maiores empresas americanas, por exemplo, passaram de US$ 8 bilhões em 2000 para US$ 785 bilhões em 2006. Entre os motivos para os investimentos, um dos fatores que mais cresce na avaliação é a busca por recursos naturais, em especial diante da demanda chinesa. Nesse ponto, América Latina tem um papel relevante. Mas a razão citada por mais de 50% das empresas é mesmo a busca por mercado. Mão-de-obra qualificada e barata também são fatores que pesam na decisão de investir.

Tudo o que sabemos sobre:
ONUInvestimentosmultinacionais

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.