Brasil é o 8º melhor país para o varejo

Setor de vestuário tem melhores oportunidades, mostra estudo

Reuters, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2009 | 00h00

O Brasil ocupa a 8ª posição no ranking global de oportunidade de investimento para empresas de varejo e é o primeiro do mundo em atratividade no setor de vestuário, segundo pesquisa da consultoria A.T. Kearney, divulgada ontem. O levantamento existe desde 2003, mas o Brasil só conseguiu entrar na lista dos 30 países mais atraentes para investimento de varejo em 2005, ocupando o 29º lugar. No ano passado, o país estava na 9ª posição.Os 10 primeiros colocados do ranking em 2009 são Índia, Rússia, China, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Vietnã, Chile, Brasil, Eslovênia e Malásia. Em 2008, os quatro primeiros eram Vietnã, Índia, Rússia e China. Markus Stricker, vice-presidente da A.T. Kearney, acredita que o Brasil não ficará entre os três primeiros, uma vez que seu varejo já é mais consolidado que o de muitos países, mas considera a posição ocupada pelo País extremamente positiva."Estar entre os três primeiros é improvável, mas, mesmo sendo um mercado tão bem estruturado (com menos espaço para crescer por investimento estrangeiro), ele está entre os 10 primeiros, e isso é importante", disse Stricker.Essa estrutura faz com que o Brasil viva uma segunda onda de investimentos. Na primeira onda, grande parte dos imóveis nas grandes cidades já foi comprada e associações entre grandes empresas - como a da rede francesa Casino com a brasileira Pão de Açúcar - já foram feitas.Nesta segunda onda, há oportunidades de investimento em outras cidades. Celso Durazzo, diretor da consultoria, lembra que o estudo apurou que cerca de 20 cidades brasileiras têm mais de 1 milhão de habitantes, um ponto positivo para o país. "Não existe mais oportunidade de investimento maciço no Brasil, que estava no pico em 2007 e agora está na maturidade. Nessa maturidade é hora de (as empresas estrangeiras de varejo) inovarem quando investirem aqui", disse.Além do vestuário, outras oportunidades no varejo do País são os setores de eletrodomésticos e de alimentos e bebidas. O Brasil lidera o ranking do vestuário por igualar-se a países desenvolvidos: 40% das vendas de vestuário no País são feitas com cartão de crédito, patamar similar a de Estados Unidos e Grã-Bretanha, e as duas principais redes do país, Riachuelo e C&A, já emitiram mais cartões próprios de crédito que as operadoras Visa e Mastercard.Outros pontos positivos são a população jovem, que consome muita roupa - mais de 60% dos brasileiros estão abaixo dos 30 anos - e o gasto médio com vestuário é de cerca de US$ 450 por ano, valor seis vezes superior ao da China.Segundo Durazzo, a Índia liderou a pesquisa da A.T. Kearney porque, com a crise global, os preços dos imóveis despencaram e os varejistas locais se enfraqueceram, tornando-se alvos de aquisição em um país com uma população consumidora bastante volumosa.

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