Brasil é o emergente mais ofensivo em disputas comerciais

O Brasil é o país emergente mais ofensivo na abertura de disputas na Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo os registros da própria entidade, nos últimos dez anos, o Itamaraty iniciou 22 contenciosos contra barreiras impostas às exportações nacionais por outros governos. O Brasil foi superado apenas pelos Estados Unidos, Europa e Canadá em número de queixas abertas em Genebra. o Brasil já foi autor de casos contra as barreiras dos Estados Unidos à gasolina, contra os subsídios canadenses aos aviões da Bombardier e até mesmo contra os parceiros do Mercosul - os argentinos - no setor de frangos. Os últimos grandes casos foram o do açúcar, contra a União Européia (UE), e contra os subsídios americanos ao algodão. Em ambos o Brasil levou a melhor, ainda que os países afetados tenham declarado que vão pedir uma reavaliação dos casos. Na avaliação de observadores em Genebra, a atuação do Brasil no órgão de solução de disputas da OMC mostra o interesse do País por um regime internacional baseado em regras, e não em ações unilaterais. "O Brasil usa o sistema de solução de controvérsias porque sabe que, sendo um país emergente, somente teria chances de lutar contra injustiças comerciais por meio da lei", afirmou um ex-diplomata na OMC, que lembra que o Brasil representa quase 20% dos 114 casos levados à Genebra até hoje por países emergentes. AlvoMas, se o Brasil é um dos governos mais ofensivos na história da OMC, os casos abertos contra o Brasil não são despresíveis. O País é o sétimo maior alvo de queixas e 12 disputas já foram abertas contra o Brasil desde 1995, entre elas a que foi iniciada pelo Canadá contra o Proex e a ajuda recebida pela Embraer. Entre os países que mais sofrem ataques, os Estados Unidos são mais uma vez os líderes. No total, 83 casos foram abertos contra Washington, principalmente no setor siderúrgico.

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