Brasil é o "noivo da vez", diz ministro da Agricultura

Envolvido na Organização Mundial do Comércio (OMC), da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), com a União Européia (UE), e em outras tantas iniciativas bilaterais, o Brasil está se tornando "o noivo da vez" nas negociações internacionais. A avaliação é dos próprios ministros brasileiros, que nos últimos cinco dias têm percorrido pelo menos quatro continentes diferentes debatendo aproximações comerciais entre os países. ?Existe um interesse significativo das grandes economias pelo País. Nós somos o noivo da vez e por isso é que temos que negociar bem e tirar vantagens desse momento", afirmou Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura. "Dá para imaginar os Estados Unidos interessados em uma Alca sem o Brasil?", questionou o ministro. Para analistas comerciais, o interesse pelo Brasil está sendo correspondido por uma política externa que está buscando novos contatos. O resultado está sendo uma intensa atividade negociadora por parte do alto escalão do governo. Além da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, na semana passada, seus ministros estiveram no Egito no último fim de semana para reuniões da OMC. Novos mercadosHoje, tanto o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, como o chanceler Celso Amorim estão no Oriente Médio tentando abrir mercados para produtos nacionais. Ao mesmo tempo, o Mercosul iniciou, ontem em Assunção, mais uma rodada de negociações com a UE. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, esteve em Genebra ontem e se reuniu com os diplomatas brasileiros na OMC para coordenar as posições do País na Rodada de Doha, que teoricamente teria como uma de suas funções eliminar os subsídios agrícolas. Já nos próximos dias, será a vez de Lula e seu chanceler voltarem a viajar, desta vez para a Colômbia, onde participarão da reunião do Pacto Andino. "Essa é a primeira vez que os andinos convidam um presidente de fora do grupo para a reunião e escolheram exatamente o Brasil", afirmou Amorim. Com tantas negociações ocorrendo ao mesmo tempo e com as pressões por parte dos países mais ricos, o chanceler garante que o governo não será "leviano". "Estamos consultando todos os setores da economia e não vamos fazer nenhuma abertura sem que haja uma avaliação por parte da indústria", completou Amorim. O Ministério da Agricultura também faz um discurso de que está comprometido com um diálogo e anunciou que irá convocar, nos próximos dias, representantes de todos os setores agrícolas do País para avaliar quais serão as principais ações que deverão ser tomadas para que a negociação da OMC seja efetiva em eliminar as barreiras aos produtos nacionais.

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