Brasil é o sexto como destino de investimento

CORRESPONDENTE / GENEBRA

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2011 | 00h00

O volume de investimentos recebido pelo Brasil em 2010 coloca o País como o sexto maior destino de recursos do mundo no ano - sua melhor posição no ranking - e também apresenta a taxa de expansão mais elevada entre as maiores economias. Os dados são da ONU, que admite ter ficado surpresa com os mais de US$ 48 bilhões registrados pelo Brasil em investimentos produtivos no ano.

Com o volume registrado, quase o dobro de 2009, a economia brasileira superou tradicionais economias como Reino Unido, Japão, Itália, Alemanha e Holanda como destino de investimentos estrangeiros.

A expansão brasileira foi superior aos 9,7% de crescimento dos países emergentes. Na China, o crescimento foi de apenas 6,3%.

O contraste com os países ricos é ainda mais explícito. Os investimentos no mundo ficaram estagnados em 2010, somando apenas 0,7% a mais que em 2009, o ano da crise. No ano passado, os investimentos mundiais somaram US$ 1,12 trilhão, contra US$ 1,11 trilhão em 2009.

Nas economias ricas, o que se registrou foi uma queda de 7% no fluxo de investimentos em 2010. A Europa registrou uma queda de 22% nos investimentos recebidos, contra uma contração de 83% no Japão. A Irlanda sofreu uma queda de 66% no fluxo de investimentos, contra 20% na Dinamarca, 55% em Luxemburgo e 38% de queda na Grécia.

Em declarações ao Estado, o economista da ONU, James Zhan, admitiu que o desempenho do Brasil é "invejável" e que a busca por acesso ao mercado consumidor e de matérias-primas é o que levou à expansão de investimentos. "Esse crescimento é único no mundo hoje."

A avaliação publicada há apenas uma semana pela ONU indicava que os investimentos não passariam de US$ 30 bilhões no Brasil, baseado em projeções. Mas só em dezembro, US$ 15 bilhões entraram na economia nacional. Com a expansão, o Brasil também registrou o maior crescimento porcentual, dobrando o volume de recursos em um ano.

Em 2009, o Brasil ocupava a 13.ª colocação entre os maiores destinos, atrás da Rússia, Índia, Cingapura e outros emergentes.

A liderança é dos EUA, que receberam US$ 186,1 bilhões no ano passado. Em segundo lugar vem a China, com US$ 101 bilhões em investimentos. Em terceiro aparece Hong Kong, com US$ 62 bilhões. A quarta posição é da França, com US$ 57 bilhões recebidos, e em quinto aparece a Bélgica, com US$ 50,5 bilhões. O Reino Unido, com US$ 46 bilhões, foi superado pelo Brasil.

A ONU já havia confirmado uma transformação profunda na economia mundial. Pela primeira vez na história, os países emergentes receberam mais investimentos que os ricos, que ainda vivem as incertezas da recuperação por causa das altas taxas de desemprego e das turbulências no mercado financeiro. Juntos, os emergentes receberam, em 2010, mais de 53% de tudo que foi investido no mundo e tiveram uma expansão de 10%.

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