Brasil é o único destaque na América Latina

O Brasil é o único país da América Latina destacado pela Salomon Smith Barney para investimentos no curto prazo na região, após a crise na Turquia. Na opinião do especialista Geoffrey Dennis, apesar das tensões, o momento representa uma oportunidade para compra de ações no País. As empresas escolhidas pela Salomon para as aplicações foram Pão de Açúcar, Copel, Embratel, Unibanco, Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Petrobrás.A idéia de aproveitar o nervosismo para adquirir ações foi obtida por Dennis por meio da observação dos movimentos dos investidores após as últimas crises. Ele relata que as preocupações produzidas pelo México (1994), Ásia (1997) e Rússia (1998) redundaram em decisões de venda de ações. Mas, a desvalorização do Real, no início de 1999, levou a uma corrida pela compra de papéis dois dias após a decisão do governo.Na avaliação do especialista, os atuais questionamentos sobre a Turquia e os efeitos de uma crise naquele país são parecidos com os vividos em janeiro de 1999. Para ele, essa semelhança indica o bom momento para compra de papéis.Além disso, diz o relatório, a desvalorização registrada em fevereiro nas Bolsas da América Latina mostra que há espaço para recuperação dos mercados na região no curto prazo. A queda de fevereiro, registrada pelo Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), de 10,07%, representa perda de cerca de 75% do ganho obtido em janeiro, quando o índice acumulou alta de 15,81%, lembra a Salomon.Dennis acredita que qualquer notícia ruim que possa vir a ser divulgada com relação aos países emergentes, e mais uma vez prejudicar os mercados, será balanceada por um novo corte na taxa de juros norte-americana, que dará novo fôlego às aplicações.Longo prazoPara o longo prazo, a recomendação da Salomon para o Brasil é de compra, com presença marcante do País em uma carteira focada em América Latina. Entretanto, a recomendação de curto prazo, "overweight" - que significa maior ênfase ao País - é uma redução em relação à de longo prazo, divulgada em relatório há cerca de 10 dias.De acordo com a explicação de Dennis, a diferença entre as classificações é fruto de uma ligeira preocupação com os efeitos da crise da Turquia no Brasil. Em razão das dúvidas com a extensão do cenário para emergentes, México e Argentina estão com classificação neutra e Chile, Colômbia e Peru receberam "underweight", indicando que o posicionamento em papéis de empresas destes países deve ser pequeno.Ele admite que o Brasil pode sofrer um pouco com a desvalorização recente do Real (cerca de 4,15% no ano), gerada pela soma das tensões externas. Mas afirma que, mais à frente, deve ficar claro que os efeitos desta variação cambial são apenas temporários.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.