Brasil e Paraguai acertam ações de combate à aftosa amanhã

Brasil e Paraguai poderão acertar amanhã, em uma reunião em Montevidéu, capital do Uruguai, ações conjuntas para combate à febre aftosa em Mato Grosso do Sul. O mais recente foco da doença foi registrado a apenas 4 km da fronteira do Estado com o Paraguai. Com isso, a interdição da região cobriu parte do território paraguaio. A reunião de amanhã será a do Conselho Veterinário Permanente do Mercosul e terá como representante brasileiro o diretor do Departamento de Saúde Animal, Jorge Caetano Júnior, do Ministério da Agricultura.De acordo com a Secretaria de Defesa Agropecuária, na reunião de amanhã o Brasil detalhará todos os procedimento adotados para conter o foco da doença. Já são quatro focos confirmados até o momento. Outros dois focos podem ser confirmados ainda hoje.O Paraguai, segundo comentários que circulam em Brasília, ameaça entrar com uma representação contra o Brasil no conselho, porque técnicos brasileiros teriam entrado em território paraguaio sem autorização para investigar os casos de aftosa. Na semana passada, tão logo foi descoberto o primeiro foco em Mato Grosso do Sul, o Ministério da Agricultura pediu ao governo paraguaio autorização para uma investigação no local. Ocorre, porém, que o pedido foi negado por autoridades paraguaias.O secretário de Política de Defesa Agropecuária, Gabriel Alves Maciel, negou qualquer tipo de irregularidade. "Com o Paraguai temos trabalhado em perfeita parceria, transparência e reciprocidade", disse o secretário Maciel. "Tudo o que é feito por nós para conter o foco da aftosa na fronteira é de comum acordo com eles (paraguaios)", acrescentou.O secretário defendeu a vacinação assistida do rebanho do Paraguai e também da Bolívia. Na prática, o Brasil doaria vacinas para imunizar o rebanho contra a doença e técnicos dos países vistoriariam a vacinação. Em 2003, o Brasil fez duas doações de vacinas ao Paraguai e à Bolívia. Para o Paraguai foram doadas 2 milhões de doses e para a Bolívia, 1 milhão de doses.Reunião com exportadoresExportadores de carne vão se reunir na próxima quinta-feira com representantes do Ministério da Agricultura para definir a estratégia para tentar reverter o embargo imposto à exportação de carne brasileira. A reunião será na Secretaria de Defesa Agropecuária. Os exportadores já devem começar a ter prejuízo com embarques de carne em outubro. O ex-ministro da Agricultura e presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Pratini de Moraes, calculou uma redução inicial de 30% na receita cambial obtida com a exportação de carne bovina. Por mês esses embarques rendem US$ 250 milhões. Entre os principais mercados que suspenderam as compras estão União Européia e Rússia. Para avaliar os impactos da descoberta dos focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul para os pecuaristas, o Fórum Nacional de Pecuária de Corte, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), deve se reunir amanhã, a partir das 14 horas, em Brasília. A idéia é fazer um balanço da situação dos produtores locais e também dos Estados que têm demanda por bovinos de Mato Grosso do Sul, informou o presidente do fórum, Antenor Nogueira.

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