Brasil e Paraguai discutem dívida de Itaipu nesta quinta

Mudanças solicitadas pelo governo paraguaio no acordo entre Brasil e Paraguai sobre a Binacional Itaipu são o tema da reunião-almoço que os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e de Minas e Energia, Silas Rondeau, terão nesta quinta-feira, a partir das 13 horas, na sede da empresa em Foz do Iguaçu (PR), com os ministros da Economia e da Indústria e Comércio (responsável, também, pela área de energia) do Paraguai, respectivamente Ernst Bergen e Raúl José Vera Bogado. O governo do Paraguai quer que seja retirado do contrato um dispositivo que representaria uma dupla indexação da parte da dívida da usina que é de responsabilidade do país vizinho.A queixa do Paraguai diz respeito ao mecanismo conhecido como "fator de ajuste", que acrescenta aos juros anuais da dívida da empresa o impacto da inflação dos Estados Unidos, utilizando-se uma média da variação dos preços do varejo e do atacado nos Estados Unidos. A dívida de Itaipu, de US$ 19,6 bilhões, foi renegociada em 1996 pelos então presidentes Fernando Henrique Cardoso e Juan Carlos Wasmosy, passando a ser indexada, a partir do ano seguinte, em 8,96% ao ano com base nos indicadores "consumer prices" e "industrial goods", mais a inflação norte-americana. Fontes do governo brasileiro informaram que o Brasil tende a não aceitar a retirada do "fator de ajuste" do contrato. Mesmo assim, vai apresentar uma contraproposta, vez que também tem interesses na reunião desta quinta. O principal deles é conseguir o aval do governo paraguaio para poder colocar em funcionamento na usina duas novas turbinas, capazes de ampliar a potência instalada - dos atuais 12.600 megawatts (MW) para 14 mil MW.

Agencia Estado,

27 de julho de 2006 | 11h01

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.