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Brasil e Peru antecipam acordo bilateral

Brasil e Peru decidiram sair na frente e iniciar as discussões sobre um acerto bilateral de preferências comerciais, antes mesmo da conclusão de um acordo quadro (mais genérico) entre o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações (CAN), prevista para a próxima semana. Os acertos, que envolverão também investimentos em joint ventures e em obras de infra-estrutura para interligar o oceano Pacífico ao Atlântico, foram discutidos na manhã de hoje pelos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, e do Comércio do Peru, Raúl Díez-Canseco."O Peru quer ser um aliado estratégico do Brasil. Quer dar toda a facilidade para que o País possa distribuir seus produtos na Ásia", afirmou Díez-Canseco, durante entrevista ocorrida logo depois do encontro. "Temos hoje um comércio bilateral de US$ 500 milhões, que pode ser duplicado sem maiores esforços. Por isso, queremos o acordo bilateral com o Brasil", completou.Em princípio, o acordo deverá prever a redução de tarifas de importação no comércio do Brasil com o Peru e estará amparado no acerto maior, em difícil negociação, entre o Mercosul e a CAN. Mas deverá ter um impacto maior na balança comercial brasileira. Primeiro, porque a estratégia brasileira é utilizar o Peru como trampolim para obter o acesso ao mercado dos Estados Unidos.Como o país vizinho tem um acordo com o governo americano que permite o ingresso de seus produtos com tarifa zero, o Brasil avalia a possibilidade de estimular a instalação de empresas brasileiras no Peru ou da criação de joint ventures com o objetivo de exportar manufaturas aos Estados Unidos.Segundo o ministro peruano, o financiamento a esses projetos viria do BNDES e do Cofide, o banco de desenvolvimento do Peru. Os setores alvo seriam florestal, agroindustrial, pesqueiro, de calçados, de móveis, têxteis e de etanol. Esses últimos quatro produtos, no caso do Brasil, enfrentam severas barreiras para alcançar o mercado americano.Outra razão para um impacto maior na balança comercial brasileira estará no uso de dois portos peruanos para o escoamento da produção brasileira destinada aos países asiáticos. Os exportadores peruanos também se favoreceriam com saídas para o Atlântico. O assunto será tratado nesta tarde com o ministro do Planejamento e Orçamento, Guilherme Dias.Durante a entrevista, Díez-Canseco lembrou que o governo brasileiro foi um dos que mais colaborou com a recuperação da ordem democrática no Peru e que o presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, "é muito querido" em seu país. "Não tenho dúvidas que a relação de sucesso que tivemos durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso continuará no governo de Lula."

Agencia Estado,

26 de novembro de 2002 | 15h31

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