Brasil e Portugal contra o protecionismo

Em meio à crise financeira mundial, o governo português continua acreditando no Brasil. Como nós,também condena, com veemência, qualquer tipo de protecionismo, comercial ou financeiro, que ameaça o comércio e a recuperação da economia mundial.Essas foram as posições defendidas pelo ministro de Estado das Finanças de Portugal, Fernando Teixeira dos Santos, que esteve aqui para encontrar-se com autoridades brasileiras e reinaugurar o banco estatal Caixa Geral de Depósitos.Ele afirmou à coluna que "o Brasil é uma das maiores economias mundiais e constitui um mercado de quase 200 milhões de consumidores que falam português". Também como Portugal, não tem problemas imobiliários, como o subprime das hipotecas."O Brasil continua a ser um importante mercado de destino dos investimentos diretos de Portugal. Depois de ter sido o primeiro em 1997, 1998 e 2000, ocupa hoje o quinto lugar como receptor dos investimentos portugueses", destaca o ministro.Ao mesmo tempo, os empresários brasileiros aumentam cada vez mais suas participações no mercado português. E a estatal Caixa Geral de Depósitos quer facilitar as suas operações não só em Portugal, mas na Europa e na África, assim como o comércio bilateral.PROTECIONISMO, NÃOEm todos os seus pronunciamentos no Brasil, o ministro Fernando Teixeira dos Santos enfatizou a posição de seu país contrária ao protecionismo que ganha corpo com a recessão nos países desenvolvidos. Levou essa posição ao governo brasileiro, em Brasília. Certamente, recebeu o apoio do Brasil, que defende com igual veemência essa mesma política. Proteger mercado não é receita para crescer, mas prolongar a recessão, não nossa, que ainda não temos, mas a deles, que só se agrava. (É receita do cego que só "vê" a um metro de distância.)POUPEM OS EMERGENTES!No dia 2, em reunião de cúpula dos países ibero-americanos, que se realizará na cidade do Porto, em Portugal, Fernando Teixeira dos Santos defenderá e recomendará que o grupo aprove essa posição na próxima reunião do G-20.Para ele, a economia dos países emergentes pode ter um papel decisivo na recuperação mundial, neste momento em que os países mais desenvolvidos estão em recessão. Por isso, os países desenvolvidos não devem criar obstáculos ao seu crescimento, pois serão prejudicados em um segundo momento, quando o comércio mundial desabar."Países como Brasil, China e Índia podem ser um amortecedor significativo para a crise atual, à medida que possam manter algum crescimento", afirmou o ministro Fernando Teixeira dos Santos. Ele lembrou o grande significado que teve para a Europa a abertura das suas economias, com a criação da União Europeia. "Foi um momento ao contrário do protecionismo. Se num momento difícil como o que vivemos nos deixarmos dominar pelo nacionalismo egoísta, será dado um passo atrás muito grande, que vai pôr em risco tudo o que conquistamos nessas décadas."E conclui o ministro, com toda ênfase: "As tentações protecionistas devem ser combatidas a todo custo. Temos de resistir firmemente, juntos. Cada país não consegue enfrentar sozinho uma crise dessa natureza".E, como que respondendo aos que se iludem com o efêmero resultado que o protecionismo pode proporcionar, Fernando Teixeira dos Santos conclui:"É uma miopia querer ver só os efeitos de curto prazo e comprometer as perspectivas que temos de prosperar em conjunto. Espero que a Europa seja capaz de resistir a essa tentação".Como anfitrião da reunião dos países ibero-americanos, do dia 2, no Porto, ele terá um papel importante para levar o bloco a condenar tudo que reduza os cegos que só enxergam sombras difusas e fugidias.Certamente o ministro das Finanças de Portugal deve ter recebido total apoio do governo brasileiro, que está assumindo a liderança contra qualquer medida que enfraqueça o comércio mundial. E isso, mesmo porque, pelo últimos indicadores, ele está dizendo: "Não precisa empurrar que eu caio sozinho..."Se os países emergentes também entrarem em recessão, tudo estará perdido.*Email: at@attglobal.net

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