Brasil é prioridade para o Santander, diz presidente

Marcial Portela diz que participação do País no lucro do banco espanhol deve passar de 25% este ano para 30% no próximo ano

GLAUBER GONÇALVES / RIO , O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h05

Prioridade para o banco espanhol Santander, o Brasil deve ampliar sua participação no lucro global da instituição de 25% para 30% nos próximos dois anos, previu ontem o presidente da instituição no País, Marcial Portela. O executivo fez a avaliação depois de retornar de uma reunião do Conselho de Administração do grupo, que vê a importância do Brasil crescer num momento de crise em mercados tradicionais da Europa.

"Cheguei hoje (ontem) de uma reunião no conselho de administração do Grupo Santander e toda a atenção está dedicada ao Santander Brasil", declarou o executivo durante entrevista à imprensa na inauguração de uma agência bancária na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio. Ele acrescentou que, enquanto o cenário se agrava na Europa, a situação do Brasil é "privilegiada". Para Portela, embora não esteja imune às turbulências, o País está bem protegido.

Sobre o aumento dos custos de captação pelos bancos, resultado do agravamento da crise no Hemisfério Norte, Portela afirmou que essas operações ficaram mais caras em dólar e outras moedas estrangeiras, mas não em real. "O custo de captação em real é semelhante ao de antes da crise", revelou.

A agência inaugurada ontem é a segunda do Santander em uma favela. A primeira foi instalada no Complexo do Alemão, no ano passado. Desde a implantação, quando a comunidade ainda era dominada por traficantes armados, o banco atingiu a marca de 1,2 mil clientes e 100 pequenas empresas atendidas.

Com o plano de intensificar a atuação na concessão de crédito a pessoas físicas e pequenas empresas, a instituição já estuda outros mercados, no Rio e em São Paulo, similares ao Alemão e à Vila Cruzeiro. Mas os executivos do banco não dão mais detalhes desses planos. "Vamos continuar com uma atividade muito intensa em microcrédito, não só em comunidades, mas em todo o Brasil", disse Portela.

Questionado sobre o potencial que uma eventual aquisição da financeira Losango traria ao Santander para crescer entre as classes C, D e E, o presidente do banco evitou comentar as informações de que estaria negociando com a financeira do HSBC no Brasil. "Quanto à Losango, eu não sei. Não tenho relacionamento com eles", esquivou-se.

Novo Mercado. Até outubro do ano que vem, o Santander Brasil pretende ter 25% de suas ações negociadas no mercado. O patamar é uma exigência da BM&F Bovespa às empresas que integram o Novo Mercado, ambiente de mais alto nível de governança da bolsa. Portela revelou que, embora a instituição possa recorrer a uma permissão especial para prorrogar o prazo por mais dois anos, a intenção é cumprir o prazo acertado inicialmente.

"Não havendo condições suficientes para colocar esses 3% e atingir os 25% que devemos ter de free float na bolsa, teríamos de pedir uma permissão especial para prorrogar essa obrigação por mais dois anos", declarou. "Mas a intenção é ficar dentro do período comprometido com o regulador da bolsa."

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