Brasil é 'solução óbvia' para crise de alimentos, diz jornal inglês

Para 'Financial Times', potencial do País tem sido ignorado; em entrevista, Amorim culpa subsídios dos ricos

Daniela Milanese, da Agência Estado,

28 de abril de 2008 | 08h33

O Brasil é uma "solução óbvia" para o problema da alta do preço dos alimentos que ameaça o mundo, avalia o Financial Times. Conforme o jornal inglês, no entanto, o potencial do País nessa área tem sido largamente ignorado. "O mundo desenvolvido parece propositadamente míope em relação às oportunidades que o Brasil apresenta."   Veja também: Governo volta atrás e fala em restringir exportação de arroz Amorim compara etanol de cana-de-açúcar a colesterol bom Crise na oferta de alimentos é passageira, diz Lula Alimentos triplicam alta e IPCA-15 mais que dobra em abril ONU alerta para crise global real com alta de alimentos Especial: Entenda a crise dos alimentos  Câmara Setorial de Arroz descarta a possibilidade de desabastecimento    Abitrigo estima que o preço continuará subindo nos próximos meses      O FT afirma que o País tem grandes reservas de terras cultiváveis desocupadas, a maioria delas hoje servindo como pasto, e que podem facilmente se transformar em áreas de produção de grãos e outros alimentos. "O problema é que a maior parte da produção agrícola brasileira continua enfrentando tarifas proibitivas e outras barreiras colocadas pelos mercados desenvolvidos na Europa e nos Estados Unidos."   Segundo o jornal, se a produtividade da pecuária for elevada de 0,8 gado por hectare para 1,2, cerca de 80 milhões de hectares de terras seriam liberados para o plantio de alimentos. "Mas isso irritaria os fazendeiros americanos e europeus."   Em entrevista ao jornal, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que a resposta correta à crise dos alimentos, além de dar prioridade ao combate à fome, é atacar a raiz do problema: os subsídios dos países ricos, que enfraquecem a produção das nações em desenvolvimento. "A fome mundial não é resultado de falta de oferta, mas principalmente do baixo nível de renda dos países pobres", afirmou o ministro.   O FT avalia que o Brasil possui sua parcela de culpa nessa discussão, pois tem feito pouco para combater a "histeria contra a suposta ameaça do etanol à floresta Amazônica", por exemplo. "Uma ameaça que, se existe, está mais relacionada à ilegalidade na região da Amazônia do que aos imperativos econômicos da produção de etanol."

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