Brasil é um dos mais afetados pelos juros externos, diz Citi

O ambiente global para o mercado de renda fixa mudou a partir das sinalizações recentes sobre o rumo da política monetária nos Estados Unidos. E os países emergentes que têm títulos de sua dívida negociados neste mercado serão, com maior ou menor intensidade, afetados dentro deste novo cenário, afirmou o diretor para América Latina do Citigroup, Thomas Trebat, em entrevista à Agência Estado."Alguns créditos sofrerão menos, como o da Rússia que vem se beneficiando das altas do petróleo, ou do México com o menor déficit fiscal e o forte crescimento de seu comércio com os Estados Unidos. Mas, de um modo geral, no contexto internacional menos favorável para os títulos de renda fixa, todos os países vão sofrer algum tipo de efeito", disse o diretor do Citi. Para o diretor do Citigroup, não é a divulgação de relatórios com mudanças na recomendação de investimentos (como o do JP Morgan ontem ou do Citi hoje) que vem provocando esse comportamento menos positivo do mercado financeiro doméstico, mas sim essa mudança de humores em nível global. "Eu não daria tanta importância a esses fatores isolados como um relatório ou um indicador econômico. O que estamos vendo é uma transição no mercado global de renda fixa. É preciso lembrar que está acabando um período quase sem precedentes na economia global de baixas taxas de juros nos Estados Unidos", explica.Para o economista chefe do Citibank no Brasil, Carlos Kawall, o Brasil acaba sendo mais afetado nesse contexto devido a uma posição técnica de carteiras de nvestimentos carregadas de papéis da dívida externa brasileira. "Os investidores vinham numa posição bastante ´overweight´ (acima da média da carteira) de títulos do Brasil. A reversão de expectativas no contexto global acaba assim tendo um peso maior" para os papéis da dívida brasileira, explicou Kawall, que também participou da entrevista à AE para comentar o rebaixamento na recomendação de Brasil.

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