Brasil é um dos mais fechados ao comércio, diz Fórum

País ocupa apenas o 80º lugar no ranking do Fórum Econômico Mundial; um dos piores da AL

DANIELA MILANESE, Agencia Estado

18 de junho de 2008 | 09h03

O Brasil está entre os países mais fechados do mundo para o comércio internacional, aponta relatório do Fórum Econômico Mundial, divulgado nesta quarta-feira, 18, em Genebra (Suíça). O País ocupa apenas o 80º lugar no novo ranking produzido pela organização, o Global Enabling Trade Report 2008, que tem como objetivo medir os fatores que influenciam as transações em 118 economias do mundo.      Veja também:  Economia do País é das mais protecionistas do mundo, diz Bird"O mercado brasileiro continua completamente fechado, com tarifas e, em menor escala, também com barreiras não-tarifárias que inibem as importações", diz o relatório, que está sendo produzido pela primeira vez. Com essa posição, o Brasil fica entre os piores resultados da América Latina, atrás de países como o Chile (que lidera a região, com o 27º lugar), Costa Rica (44º), México (65º) e Argentina (78º). O País supera apenas o Paraguai (83º), Bolívia (94º), Equador (96º) e Venezuela (115º).Entre os países emergentes que foram o grupo apelidado de BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o País também perde para a China (48º) e para a Índia (71º), ficando à frente somente da Rússia (103º). Obstáculos persistemOs autores do estudo avaliam que o comércio internacional é um condutor importante do desenvolvimento econômico. "No entanto, apesar dos seus benefícios reconhecidos, muitos obstáculos persistem", dizem Robert Z. Lawrence, da Universidade de Harvard, e Jennifer Blanke, Sean Doherty e Margareta Drzeniek Hanouz, do Fórum Econômico Mundial, responsáveis pelo levantamento.Segundo eles, a maior parte das barreiras é imposta por governos para blindar os negócios que podem sair perdendo no curto prazo em razão do aumento da competição internacional. No entanto, os autores acreditam que os impedimentos limitam o fluxo de comércio e reduzem o bem-estar coletivo.Apesar da avaliação do Fórum, a baixa participação das exportações na economia nacional tem sido apontada por analistas como um dos fatores de proteção para o Brasil em meio à atual crise global. O fato de o crescimento econômico atual estar baseado na economia doméstica deixa o País menos vulnerável, conforme especialistas.O relatório mostra que entre 1994 e 2006, as transações comerciais passaram de quase 20% para pouco menos de 30% do PIB brasileiro. No mesmo período, a média mundial passou de 40% para cerca de 60% do PIB global.  Segurança  A falta de segurança é o maior obstáculo para o desenvolvimento do comércio internacional do Brasil, segundo o novo relatório. A segurança física recebeu a pior nota, ocupando a 101ª colocação entre 118 economias analisadas. "Assim como em outros países da região, um significativo impedimento para o avanço do comércio exterior é a pobre situação de segurança do País", afirma o estudo.Na avaliação da acessibilidade do mercado, o Brasil ficou na 92ª posição, em função das barreiras tarifárias e não-tarifárias. Apesar das críticas dos empresários nacionais, a melhor nota obtida pelo Brasil foi para o quesito infra-estrutura (no 62º posto entre as 118 economias analisadas). Segundo o relatório, apesar de o transporte - em particular ferrovias, estradas e portos - ser "subdesenvolvido, o que não é surpreendente para um país como o nível de desenvolvimento do Brasil", a indústria logística é bem avaliada pela competência e confiabilidade. O levantamento também chama a atenção ao tratar positivamente do setor aéreo nacional, que passou por um apagão recentemente. "O País ostenta um segmento de transporte aéreo aberto e competitivo", afirma o Fórum. Da mesma forma, a infra-estrutura de telecomunicações é "amplamente disponível".A organização analisou quatro áreas do comércio internacional: acessibilidade do mercado (tarifas, barreiras e propensão às transações), administração de fronteiras (procedimentos alfandegários e eficiência), infra-estrutura de transporte e de comunicação e ambiente de negócios (regulamentação e segurança física). O levantamento usou uma combinação entre dados públicos e pesquisas de opinião. No Brasil, a Fundação Dom Cabral e o Movimento Brasil Competitivo foram os parceiros para a elaboração do ranking.

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