Brasil e União Européia não chegam a acordo sobre carne

Uma solução para o impasse deve sair após a visita de uma missão dos veterinários europeus que virá ao Brasil

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

15 de fevereiro de 2008 | 16h10

A reunião entre representantes da União Européia e Brasil para discutir a lista de fazendas brasileiras que estarão aptas a exportar carne bovina para os países do bloco não foi conclusiva. Uma solução para o impasse deve sair após a visita de uma missão dos veterinários europeus que virá ao Brasil. A viagem começa dia 25 e Bruxelas pretende visitar 10% das 300 fazendas. Com base nessa visita, os veterinários vão sugerir se o embargo deve ser mantido. Veja também:Stephanes diz que UE sempre comprou carne não rastreadaUE rejeita mais uma vez lista de fazendas aptas a exportar carneNegociações continuam, diz ministérioPropriedades incluídas na 1ª lista estavam irregularesPecuária: ‘Brasil tem que cumprir obrigações da UE’   O Ministério da Agricultura classificou a reunião como "satisfatória". Segundo assessoria do ministério, a reunião de hoje era apenas a primeira etapa de negociação, para tentar levantar o embargo à carne brasileira. Portanto, segundo o ministério, a falta de uma conclusão já era esperada. A porta-voz da Comissão Européia, Mireille Thom, confirmou que não houve ainda um entendimento entre os dois governos. Segundo ela, os brasileiros prometeram continuar trabalhando na lista. "Foi prometido que a lista seria disponibilizada assim que possível à Comissão", afirmou Mireille. O embargo da União Européia à carne brasileira foi decidido no final de janeiro após uma polêmica sobre o número de fazendas que estariam aptas a exportar. Na primeira tentativa, o Brasil enviou uma lista com 2.681 fazendas, mas a UE exigia apenas 300 fazendas. Na quinta-feira, o governo brasileiro fez uma segunda tentativa frustrada. Apresentou uma lista com 523 propriedades. O número ainda maior do que o exigido pela União Européia fez com que mais uma vez a lista fosse rejeitada.  Vistorias Apesar da falta de acordo na reunião desta sexta, segundo a assessoria de imprensa da pasta, o número de fazendas aptas a vender carne à UE não foi o principal tema da reunião desta sexta-feira. A discussão sobre a lista até teria sido deixada de lado no encontro de hoje. O governo acrescentou, por meio de nota, que o número de produtores apresentado aos técnicos europeus não é o item mais importante porque são as próprias autoridades do bloco que vão escolher os produtores autorizados a exportar. O principal assunto teria sido os critérios de avaliação dos produtores brasileiros. Segundo o ministério, os técnicos brasileiros apresentaram relatório com detalhamento das vistorias feitas pelas equipes da Secretaria de Defesa Agropecuária brasileira. Nesse documento, houve especial atenção ao check list, de um total de 49 itens, exigido pelas autoridades sanitárias européias. Com base nessa conversa, foram observados os itens mais importantes, que serão avaliados pelas equipes européias que virão ao Brasil no fim do mês. As vistorias das propriedades pela missão européia começam no dia 27 e devem se estender até 11 de março. "O resultado (desse trabalho) servirá de base para tomada de decisão e definição de critérios para futuras avaliações de propriedades autorizadas a exportar carne para a UE", diz nota divulgada pelo ministério. Mudança no discurso Mais cedo, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, mudou o tom do seu discurso sobre a venda de carne brasileira para a Europa. Depois de acusar os frigoríficos por venderam carne não rastreada para a União Européia, o ministro defendeu a carne exportada pelo Brasil. Ao desembarcar em Campo Grande nesta sexta-feira, disse que o bloco sempre comprou carne não rastreada do Brasil, e só agora usa esse procedimento para justificar o embargo. "Essa situação foi mencionada em relatório da UE enviado a Organização Mundial do Comércio, recentemente".  O ministro defendeu a idéia de que acabaram as discussões sobre aftosa ou barreira sanitária, e que agora a questão é sobre rastreamento, competição e controle. "A carne bovina brasileira é, indiscutivelmente, de primeiríssima qualidade e produzida em boas condições sanitárias". Para atender às exigências da UE, o sistema de rastreabilidade começou a ser implementado em 2002, quando era ministro da Agricultura o atual presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Marcus Vinícius Pratini de Moraes.  Por este sistema, as empresas certificadoras atestam que os animais comprados pelos frigoríficos exportadores atendem às exigências dos mercados consumidores, ou seja, verificam se os pecuaristas criaram seus rebanhos de acordo com uma série de regras, que vão desde alimentação (incluindo o controle da água que é oferecida ao gado) e vacinação dos animais até a comprovação de movimentação dos rebanhos nas propriedades.

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