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Brasil e Venezuela não chegam a acordo sobre refinaria

Os governos do Brasil e da Venezuela não chegaram a um acordo sobre a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. O vazamento da discussão entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, respectivamente, e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, através do sistema de tradução montado para a entrevista coletiva prevista para logo depois do debate, permitiu que os jornalistas acompanhassem as dificuldades da negociação realizada durante encontro reservado entre os três participantes em um hotel, em Salvador (BA).

TÂNIA MONTEIRO, ENVIADA ESPECIAL, Agencia Estado

26 de maio de 2009 | 15h09

O governo venezuelano deveria entrar com 40% dos recursos para a construção da refinaria, mas até agora só o governo brasileiro investiu na obra. Isto porque a Venezuela tem feito exigências, como o direito de comercialização no Brasil de petróleo importado da Venezuela. Mas as regras brasileiras determinam que só quem pode vender internamente é a Petrobrás.

Por meio do sistema de som foi possível identificar a decepção de Chávez. Ele lamentou que os dois países não tenham sido capazes de fazer um acordo. O presidente da Petrobras esclareceu que três pontos ainda dependem de mais discussões: custos de investimento, comercialização do produto e o preço do petróleo. Gabrielli pediu mais 90 dias para discutir essas questões. Chávez reclamou. "Lamentável não sermos capazes de fazer um acordo. Confesso que estou frustrado. A culpa é dos dois governos", afirmou.

Em tom de brincadeira, o presidente Lula disse, numa referência à virtual candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República: "Se eu conseguir eleger a Dilma, eu já disse para o Gabrielli, vou ser o presidente da Petrobras e você, Gabrielli vai ser meu assessor, e o acordo (com a Venezuela) vai sair". Chávez respondeu: "E eu vou fazer o que? Eu não quero fazer nada".

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