'Brasil é visto como exportador de corrupção', diz Transparência Internacional

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

'Brasil é visto como exportador de corrupção', diz Transparência Internacional

Caso Embraer tem potencial para impactar outras empresas nacionais envolvidas em corrupção fora do País, afirma representante da ONG no Brasil

Ricardo Rossetto, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2016 | 21h13

O caso Embraer é um "forte sinal" de que outras empresas brasileiras envolvidas em casos de corrupção no exterior começarão a ser punidas. Na avaliação do representante da ONG Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão, o Brasil é visto no mundo como "exportador de corrupção". Em julho, a entidade divulgou um estudo que trouxe a empresa aérea com a nota 5,6 em uma escala de zero a dez em matéria de transparência. A Embraer foi a companhia brasileira a ter a nota mais alta entre as empresas de países emergentes estudadas. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao 'Estado':

A fiscalização contra a corrupção no Brasil é ineficiente?

Desde que o Brasil assinou a convenção anticorrupção da OCDE, em junho de 2000, foram poucas as empresas que sofreram as sanções previstas em casos de práticas de subornos transnacionais. Isso deixou o Brasil com uma imagem de exportador de corrupção. São várias instâncias que não agem, não por falta de interesse, mas por incapacidade de atuação, dada a enorme quantidade de investigações em andamento.

O caso Embraer pode impactar outras empresas nacionais?

É um sinal fortíssimo, e os empresários já temem um efeito dominó com os desdobramentos da Operação Lava Jato. Essa é a primeira vez que uma grande empresa brasileira é punida por práticas irregulares durante sua prospecção de negócios no exterior. O mercado global não tolera mais esse tipo de conduta, principalmente as autoridades nos EUA.

E como aumentar a fiscalização?

Defendemos a internacionalização da Lava Jato. Vários países onde as empresas brasileiras operam, em especial nos países da América Latina e no continente africano, têm um ambiente de permissividade muito alto, com instituições fragéis e incapazes de levar adiante qualquer investigação.

Quais os efeitos desse acordo nos negócios da Embraer?

É sempre positivo para os negócios quando há uma melhora nos padrões de controle interno e níveis de transparência. Essa é uma tendência no mundo inteiro, com as empresas que estiveram envolvidas em casos de corrupção. Elas querem limpar seu nome e recuperar sua reputação. E, para isso, são necessárias transformações profundas. Uma empresa pode dizer que tem programas eficientes de compliance, mas quando isso fica entre quatro paredes é impossível para nós avaliar a execução desses planos. Com transparência, quem faz o controle são os acionistas da empresa, o governo e a própria sociedade. E isso pode atrair mais investidores. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.