Adriano Machado/ Reuters
Adriano Machado/ Reuters

Brasil e vizinhos da América do Sul criam protocolo para entrada e saída de mercadorias

As normas de tráfego de cargas estão sendo consolidadas pelo ministro da Agricultura do Chile, Antonio Wlaker,  que é o presidente do Conselho de Agricultura do Sul (CAS)

André Borges, O Estado de S. Paulo

23 de março de 2020 | 20h40

BRASÍLIA – Os ministérios da Agricultura do Brasil e seus vizinhos da América do Sul adotarão, até a próxima sexta-feira, 27, um norma padronizada para entrada e saída de mercadorias pela via terrestre.

Nesta tarde, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, participou de uma videoconferência com os ministros da agricultura reunidos no Conselho de Agricultura do Sul (CAS), que integra Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile. O Ministério da Agricultura do Peru, país que não está no CAS, também participou do encontro.

Conforme revelou o Estado na última sexta-feira, 20, serão criadas normas para corredores sanitários, para que não ocorra paralisação de mercadorias comercializadas entre esses países. “Vamos fazer um protocolo entre os países para estabelecer corredores sanitários. Esse protocolo vai mostrar, por exemplo, como é que um caminhão que sai do Chile, deve chegar ao Brasil, envolvendo quais os cuidados necessários, onde pode parar, em quais horários etc.”, disse Tereza Cristina ao Estado.

As normas de tráfego de cargas estão sendo consolidadas pelo ministro da Agricultura do Chile, Antonio Walker,  que é o presidente do CAS. Walker vai centralizar as colaborações de cada países, para baixar as regras do corredor sanitário em toda a região.

Há forte preocupação do setor produtivo, devido às normas de quarentena impostas em cada um dos países e o fechamento das fronteiras anunciado na semana passada. Na lista de mercadorias compradas pelo Brasil está, por exemplo, o trigo da Argentina, o arroz do Uruguai e as frutas do Chile. O Brasil importa anualmente US$ 5,8 bilhões em mercadorias desses países, e exporta US$ 4 bilhões para eles.

O fechamento das fronteiras declarado na semana passado não tem o propósito de afetar o transporte de cargas, mas sim de restringir a entrada de estrangeiros oriundos desses países. É grande a preocupação do Ministério da Agricultura, no entanto, sobre os desdobramentos dessa restrição. Já há registros de casos de paralisações e problemas com entregas.

“Devemos ter essas normas prontas na sexta-feira, com os corredores sanitários já definidos”, disse Cristina. “Também criamos um grupo de Whatsapp entre os ministros, para qualquer emergência.”

A ministra reafirmou que as condições de abastecimento do País seguem em condições de normalidade e que, apesar de toda a preocupação com a disseminação do novo coronavírus nas cidades, o trabalho no campo segue sem interrupção. “A colheita está acontecendo, normalmente. Temos que lembrar que não existe aglomeração no campo. As pessoas continuam trabalhando. O campo é um dos lugares mais seguros hoje”, comentou.

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